Não chegue perto de mim! Os laços entre o The Police e a literatura.

Falar de música é ótimo; de livros, igualmente. Agora, poder falar de música e livro, ao mesmo tempo, é o suprassumo do maravilhoso. Só essa junção já é motivo de êxtase, mas pode ficar ainda melhor quando a música é de uma banda sensacional e o livro é de um escritor de primeira linha. Estou falando de DON’T STAND SO CLOSE TO ME, do The Police e LOLITA, do russo Vladimir Nabokov. Vocês devem estar me perguntando o que essas duas coisas tem a ver… Eu explico.

”(…)He starts to shake

And he starts to cough

Just like the old man in the

Famous book by Nabokov”

 

Este trecho da música – escrita por Sting – traz o nome do autor deste livro que vamos abordar; talvez você nunca tenha percebido isso, e é justamente por este motivo que o ENTRE ACORDES está aqui, para destrinchar as questões mais intrínsecas e recônditas da música. Ao escrever esta letra, Sting dissera que  inspirou-se na história de Lolita, uma menina de 12 anos (quando começa a história) que, apesar da pouca idade, havia tido experiências incomuns para uma jovem como ela. Na música, é descrito um professor que causa sensações libidinosas na jovem aluna; no livro, é um homem francês chamado Humbert  Humbert, que se apaixona perdidamente pela americana Lolita, mesmo ele tendo o triplo da idade dela.

L2Essa paixão doentia faz com que ele tome diversas atitudes das mais inesperadas possíveis para estar perto da menina (não vou contar, porque espero que vocês leiam). E como esse amor patológico fizera com que ele se sentisse culpado pela forma na qual Lolita, por ter tido sua infância deturpada, se tornara; em nenhum momento ele tem remorso do que fez, mas se sente um monstro ao perceber que suas regras de cabresto e as limitações que ele impunha a ela fizeram com que Dolores Haze (nome original de Lolita) o tratasse de forma rude, e pela maneira como Lolita passa a apenas usá-lo para conseguir o que quer.

Apesar do enredo ser muito pesado, Lolita não é um livro pornográfico, e, mesmo tratando de tal delicado tema, Nabokov consegue escrevê-lo de uma forma tão bela e poética que é muito difícil você não se encantar com o livro, que, ademais, pode suscitar até outras discussões mais amplas, como, por exemplo, a supremacia americana naquele contexto pós Segunda Guerra Mundial e em plena Guerra Fria (o livro é de 1955); a forma como a Europa (pelo fato de Humbert Humbert ser francês e fazer de tudo para sempre estar aos pés de Lolita) estaria ”submissa” aos desejos do norte-americanos e sua austeridade. Isso eu vou deixar para vocês terem suas próprias conclusões.

L3De início, caso você já tenha ouvido falar da história, pode ser que tenha algum preconceito por causa do tema, tenha, até mesmo, uma certa repulsa. Mas, eu vos convido a dar uma chance ao livro, que é um verdadeiro clássico da literatura mundial e é escrito de uma forma tão bela que comove o coração do leitor. Vale ressaltar que, a narração da história é feita, em primeira pessoa, pelo próprio Humbert Humbert, na cadeia. E, em nenhum momento, ele se exime de culpa pelas coisas que fez, e trata os leitores como um júri que, ao final do livro, vai dar sua sentença acerca dos delitos que o francês possa haver cometido. É muito interessante, vale muito a leitura. Peguem o Zenyatta Mandatta (disco do Police no qual se encontra a música), coloque na vitrola, conforte-se na sua melhor poltrona e mergulhe na história. Você vai se surpreender.

A text by @lukaspiloto7twister

 

https://open.spotify.com/track/5veJDT0MLsLbhYsx42GXUD?si=d5DoX-36QtefkVkcJOzavg

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Autor: Luc Rhoads

Um grande apaixonado por música e aventuras. Carioca, estudante de Educação Física, professor de inglês e vascaíno doente.

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