Entrevista com a banda ”O Estrangeiro”

Dando sequência ao nosso novo quadro, entrevistaremos hoje a banda O Estrangeiro, grupo novo e independente no cenário do Rock nacional que acabara de lançar seu primeiro EP, intitulado Estado de Sítio São Francisco e, em breve, lançarão seu primeiro disco. O grupo é composto por Nathã Henrique (voz e violão), Hugo Manuel (voz e guitarra), Rodrigo Cesar Tadei (guitarra), Samuel Neri (baixo) e Pero Vanci (bateria).

Apesar da sonoridade ”Lo-fi” do EP ser proposital ela se deve também a limitação de equipamentos e materiais, já que tudo foi gravado na casa de um dos integrantes e mixado por eles. Nota-se um esforço muito grande por parte destes rapazes para extrair o melhor possível, ainda que estejam iniciando sua jornada e aprimorando, não só o seu som, mas, também, o domínio das ferramentas de estúdio.

VAMOS LÁ…

Entre Acordes: Como surgiu o nome da banda?

O Estrangeiro: O nome vem de dois lugares diferentes, mas que ficam na mesma região. O disco A Revolta dos Dândis, do Engenheiros do Hawaii, é o meu favorito absoluto de todos os tempos, as letras existenciais, melancólicas e a produção diferente do que era comum nas bandas dos anos 80 me abriram pra um novo mundo. Nesse disco, na música de mesmo nome, o Humberto fala “Eu me sinto um estrangeiro/passageiro de algum trem/que não passa por aqui/que não passa de ilusão”. Essa letra falou o que sempre quis dizer, o que eu sempre quis ouvir, era como eu me sentia, um estrangeiro em terras conhecidas e ali descobri uma banda que falava a mesma língua. Um tempo depois descobri que A Revolta dos Dândis era uma referência a Albert Camus, então li O Estrangeiro, dessa vez, o livro, e depois de terminada a leitura eu pensei “não tem como a banda ter outro nome, é isso!”. Anos mais tarde eu descobri que o disco A Revolta dos Dândis era pra ter se chamado O Estrangeiro, e o refrão da música era pra ter sido “Eu me sinto um estrangeiro/personagem de Camus/esperando por um trem/ que não passa por aqui”. São descobertas dessa natureza que foram acontecendo ao longo dos anos e que me fizeram ter ainda mais certeza de que não havia outro nome possível. Contei essas ideias pro Hugo e ele concordou com tudo. Anos mais tarde conhecemos o Rodrigo que também se sentia um estrangeiro e deu ainda mais respaldo pra todo esse conceito. Até hoje lemos livros existencialistas, os filmes do Bergman, do Lars von Trier, e muitas outras coisas, tudo o que a gente vai consumindo nesse sentido a gente acaba se apropriando naturalmente porque é tudo uma coisa só. Gosto que o nome da banda faça mais sentido a cada ano, ainda mais nesses tempos em que a gente pode se conectar a tantos lugares e pessoas diferentes e ao mesmo tempo nunca nos sentimos tão estrangeiros como hoje. (Nathã)

Entre Acordes: Quando e onde a banda foi formada?

O Estrangeiro: O Estrangeiro é um desses sonhos de adolescente. Nathã e eu nos conhecemos no ensino médio aqui em Lins, nossa cidade, e nos tornamos, de cara, grandes amigos. Ele já pensava em ser músico, eu jamais havia cogitado esta hipótese; me via muito mais ligado à literatura e queria ser escritor. A verdade é que fundamos a banda antes mesmo de sabermos fazer um acorde sequer e a partir de então fomos aprender nossos instrumentos. Assim nasce ”O Estrangeiro”. Esse sonho se arrastou por todo o ensino médio sem nunca termos tocado juntos. Ao fim desta etapa estudantil, Nathã foi cursar Psicologia e eu, sem saber bem o que queria fazer, acabei por não ingressar na faculdade naquele ano (2014). Acabei aproveitando este tempo para estudar música e me matriculei no conservatório da cidade pra aprender sobre viola caipira. O Estrangeiro, inicialmente era Nathã no violão e eu na viola, estávamos à procura de um som diferente – um som estrangeiro? -, tínhamos ideias de colocar distorção na viola, essas coisas, mas conheci a guitarra e acabei me identificando mais, mas ainda pensamos em colocar viola em algumas músicas no futuro. No conservatório meu professor foi, justamente, o Rodrigo; terceiro integrante oficial da banda. Nos tornamos grandes amigos. Mostrava-lhe minhas primeiras composições e ele incentivava muito esta minha veia criativa. Ficamos juntos por dois anos na condição de aluno e professor. Nesse meio tempo, comecei, também, a cursar Psicologia e acabamos nos distanciando, todavia, Nathã e eu estávamos sonhando mais do que nunca com a banda. Em 2017 nós três nos aproximamos e foi onde a banda ganhou, definitivamente, um corpo e um lugar de destaque em nossas vidas.

Já com algumas canções gravadas, decidimos que era hora de começar a ensaiar, então surge a primeira formação da banda, que além de nós três, contava com Pedrinho Vanci na bateria e Vitor Vizili no baixo. Porém Vitor acabou saindo do país, então Samuel Neri, assumiu a baixo, na formação atual da banda. É legal relembrar que durante a pré-produção do disco tivemos a presença fundamental do nosso grande amigo e baixista João Francisco, que acabou deixando a banda no início das gravações, hoje ele tem um canal de jogo online no YouTube. (Hugo)

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Entre Acordes: Quais foram os seus maiores desafios para gravar o EP, já que foi gravado em casa?

O Estrangeiro: Quando decidimos gravar, fizemos uma espécie de pré-produção que consistiu em um ensaio onde riffs foram criados, texturas foram pensadas e onde sentimos a energia de cada música tocada com baixo, guitarras e violões. Depois disso começamos a gravar e ,então, muitas ideias já vieram dessa pré-produção. Importante dizer que nosso home studio nasceu juntamente com a vontade de gravar. O maior desafio é a textura, abusamos muito de efeitos em algumas músicas, temos nossas influências, mas no final criamos algo que é difícil definir. Toda essa textura é derivada de horas de conversas, cafés, devaneios… Enfim, as composições da banda nos levaram para o universo das gravações e descobrimos possibilidades que estamos só começando a entender. Gostamos de todo esse processo e temos consciência que a inspiração e sua transformação em algo concreto é o desafio maior. (Rodrigo)

Entre Acordes: Sobre o nome do EP, o estado de sítio só é instaurado em casos emergenciais, qual a relação do título com o disco?

O Estrangeiro: Na Gestal-Terapia costumamos dizer que o todo é maior que a soma das partes. O EP se chama ‘Estado de Sítio São Francisco’. Estado de Sítio é uma situação decretada em casos emergenciais, mas também é um livro de Albert Camus. Sítio São Francisco é o nome do sítio em que o Hugo mora. Lá, o Rodrigo, ele e eu nos reuníamos, às vezes por dias, pra filosofar, compartilhar experiências, tomar café, rir, enfim, era nossa terapia, era o nosso lugar pra fazer as coisas ganharem sentido, e também é onde trabalhamos as músicas presentes nesse disco. Não só as músicas, mas as ideias e experiências por trás delas, seus motivos, compreender o que elas estavam querendo dizer. Então, quando dizemos apenas estado de sítio tem um sentido, já estado de sítio São Francisco surge um sentido muito maior que a soma das partes e se a gente diz O Estrangeiro, Estado de Sítio São Francisco – que são as palavras que estão na capa do EP – adquire um sentido ainda maior. O nome tem a ver com tudo isso, nossa urgência abrigada naquelas noites e dias no sítio era realmente esse estado, esse sentido maior. Por ser um livro de Camus sustenta a nossa ideia do absurdo retratado nas letras, era o absurdo de nossas vivências e conversas naqueles tempos que ganhou o nome de pré-produção. (Nathã)

Acredito que o conteúdo das letras, se olhadas por qualquer óptica, apontam para um eu lírico que se mostra um tanto quanto atormentado com as questões que circundam sua existência, talvez isso possa, também, deflagrar esta ideia de Estado Sítio; de calamidade, de algo que urge e grita por socorro, muito embora o disco não tenha nenhuma pretensão de dizer como ultrapassar, “vencer” ou combater a angústia que brota vez ou outra em nosso caminho existencial. A única urgência presente nele é a do desejo de retratar nossas experiências enquanto ser-no-mundo. (Hugo)

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Entre Acordes: É notório que suas letras contêm um teor conceitual, de onde vem essa inspiração?

O Estrangeiro: As minhas letras vêm de experiências que estou vivendo naquele momento, dos livros que estou lendo, dos filmes que estou vendo, e chega uma hora que parece que tudo se encaixa e que tudo faz sentido, e essa é a hora que a tal inspiração chega, o João Nogueira dizia que é uma luz que chega de repente com a rapidez de uma estrela cadente e acende a mente e o coração, faz pensar que há algo maior que nos guia… Pra mim é mais ou menos assim. Quando escrevo uma música nova tento fazer algo realmente novo, algo que rompe com o que fiz antes, é uma procura incessante que nem sempre sai algo bom, mas quando sai é algo diferente, mesmo que seja pra falar de coisas já ditas. Eu sou o único no mundo que pode falar da minha experiência e é isso que faço, falo da minha experiência, ou melhor, deixo minha experiência falar, depois eu paro pra pensar no que eu fiz. Analisando agora, isso ajuda manter alguma identidade. As melodias chegam depois, nunca no mesmo dia, e vêm muito do que eu to ouvindo no momento. A nossa última música, por exemplo, À Procura de Quem Não Tem Nenhum Motivo Pra Ser Encontrada, eu tava ouvindo muito a banda Baleia e o som acabou ficando azul e combinando com o que eu tava dizendo na letra que, por sua vez foi muito influenciada pelas leituras existencialistas e também sobre gestalt-terapia, além da minha experiência pessoal, é uma convergência de tudo isso aliado ao desejo de fazer algo diferente. Acho que a inspiração tá em algum lugar no meio disso tudo, acho que ela é a própria convergência, é quando os descaminhos se tornam caminhos e esse momento não escolhe hora pra chegar, de certa forma é um inesperado esperado. (Nathã)

Minhas letras geralmente vem de recortes poéticos. Escrevo poesias e alguns aforismos e muitas vezes os revisito com o violão em mãos e, geralmente, é assim que tudo acontece em meu processo de composição. Como escritor, sou adepto de um método conhecido como fluxo de consciência. Defino este estilo como sendo a atualização do irresoluto, uma vez que se parte de algum lugar e o texto é basicamente criado sob associações livres. Acredito que esta liberdade se volta sempre para mim mesmo, uma vez que, neste fluxo criativo, que preza por um esvaziamento de conceitos prévios, acabo ficando apenas comigo mesmo e com o que me é próprio. No final estou falando das mesmas coisas que o Nathã; das experiências e vivências, acho que por isso que as músicas, apesar de nascerem e crescerem, dentro do processo de gravação, de formas diferentes, acabam soando bem juntas. (Hugo)

Entre Acordes: Falando um pouco da música ”Destinos Extraviados”, qual a inspiração por trás dela e qual a relação dela com o tema do disco?

O Estrangeiro: Destinos Extraviados foi a primeira canção em que o formato foi pensado antes dela existir. Um dia eu pensei “quero fazer uma balada folk tradicional”, com gaita, história triste e tudo… e algum tempo depois o primeiro verso surgiu “o sangue na sua camisa, resquício da briga contra o espelho”, a música nasce dessa ruptura com ele mesmo, e conforme caminhamos junto com a música vemos a ruptura de uma relação amorosa, a ruptura com o cotidiano, e a melancolia que vem disso tudo, é melancólico viver daquele jeito, surge a sensação de “não tem nada pra mim aqui”, então surge a decisão de romper com tudo o que lhe é conhecido, a vontade de sair com a roupa do corpo, pegar o violão, comprar cigarro e ir pra estrada. Na música, o protagonista não tem nem a alegria de comprar cigarro, bate na porta e ninguém atende, é o aviso definitivo que o impulsiona a procurar ele mesmo nessa estrada. É uma estrada que pode ser a do On The Road e também pode ser “a estrada sou” do Almir Sater, a Infinita Highway, a Highway 61, é pra essa estrada que ele vai, não sabe pra onde ir, mas sabe que ali não dá pra ficar. Eu escrevo minhas canções como se fossem cartas, sempre gostei dessa ideia, de escrever cartas, escrever a mão… e na música, nesse sentido, faço uma metalinguagem, ele escreve uma carta que se extravia, mas alguém lê, alguém chora, alguém é afetado verdadeiramente pela dor que é dele e ele nem fica sabendo. São esses descaminhos, esses destinos extraviados que eu estava vivendo intensamente naquele momento e esse formato folk deu uma cor à história, não consigo imaginar ela de outra maneira.

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Entre Acordes: Por ser algo conceitual, a ordem das faixas foi pensada de maneira a seguir uma história?

O Estrangeiro: O disco foi pensado na lógica de um LP, com o Lado A terminando com É Mister Saber, nossa faixa mais carregada de camadas e texturas e o lado B começando com a música que menos tem elementos no disco, onde a força tá justamente na narrativa, é como se esse lado B fosse um despertar de um sonho, esse sonho ruim e triste vivido no lado A, é esse despertar que aponta pra uma procura, e acaba desaguando na própria procura, que é a última faixa. No lado B todas as músicas tem violão, no lado A, nenhuma, são contrapontos que trazem um equilíbrio e um significado maior do que está ali quando ouvido do início ao fim. LP, cartas… essas coisas acabam sendo eternas, assim como a história que eu quis representar com essa música ao contar minha própria história. (Nathã)

Entre Acordes: A música ”Ursa Maior” leva o nome da famosa constelação do hemisfério celestial norte, qual a relação do título com a música ou o disco?

O Estrangeiro: Ursa Maior é, como gostamos de dizer, uma genuína “ressaca natalina”; composta na madrugada do dia 26 de dezembro de 2017. Eu estava em casa, todos dormindo, então fui com o violão para a varanda, depois de tentar tocar alguns acordes, desisti, encostei o violão e me deitei na rede. Olhei para a casa ao lado da minha e as luzes de natal piscavam efusivamente, então olhei para o céu e as estrelas tinham um efeito muito semelhante, mas seu brilho orgânico e gratuito me fez rir por um minuto de nossas tentativas de capturar e recriar a beleza sinteticamente. Não tenho nenhum conhecimento mais aprofundado em astronomia e nem sei dizer para qual dos amontoados de estrelas eu estava olhando naquele momento, mas quando voltei a pegar o violão, já com essa ideia em mente, “Ursa Maior” me veio instantaneamente à cabeça. A escolha da constelação, em si, não tem nada de conceitual, mas a letra reflete a temática central do disco; a sensação de estar farto de tudo e querer ardentemente sentir e ver a vida com outros olhos. Essa angústia encapsulada que nos leva, de repente, a pedir aos céus, ou às estrelas, um brilho de esperança. A angústia que nos mobiliza a procurar por um novo sentido. (Hugo)

Entre Acordes: Poderiam citar 5 discos que reflitam o gosto musical de vocês?

O Estrangeiro: A Revolta dos Dândis – Engenheiros do Hawaii

Boa Parte de Mim Vai Embora – Vanguart

As Plantas que Curam – Boogarins

The Velvet Underground e Nico (o disco da banana)

Dois – Legião Urbana

(Hugo, Nathã, Rodrigo, Samuel e Pedro)

Entre Acordes: Qual a visão de vocês sobre o cenário do Rock nacional atualmente?

O Estrangeiro: Acompanhamos muito o cenário musical independente/alternativo brasileiro e a diferença pra outros países é que a música aqui é muito diversa, muito plural e gostamos de artistas de todos os gêneros, Cícero, Rubel, Rômulo Fróes, e uma infinidade de pessoas que não caberia nessa entrevista, mas que admiramos muito. O rock, em relação a esse cenário, tem bandas e artistas como Boogarins, Tagore, Bonifrate, O Terno, Pedro Pastoriz que fazem um rock psicodélico/sessentista com muita influência de música brasileira; você tem o Vanguart e o primeiro disco do Rubel, que a gente pode classificar de folk; temos a Maglore que é um rock-mpb-baiano; os caras da Cachorro Grande que tão com seus trabalhos solo; tem o Terno Rei que tá ganhando cada vez mais fãs fazendo um rock diferente também; enfim, temos uma variedade enorme dentro do próprio rock, Vespas Mandarinas, Selvagens À Procura de Lei, Carne Doce, Cidadão Instigado, Judas, Los Porongas, são bandas que estão aí, mas que dificilmente vão tocar no Faustão, mas que muita gente curte, que fazem shows o ano inteiro pelo Brasil e algumas dessas bandas também fazem shows lá fora. O cenário da música brasileira oferece espaço pra todas as linguagens e o rock tá no meio disso, com bandas com sons muito próprios e de qualidade. Nós vemos com otimismo o cenário da música independente/alternativa como um todo. (Hugo, Nathã e Rodrigo)

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Entre Acordes: Qual(is) mensagem(ns) vocês gostariam de passar com este EP e o disco que está por vir?

O Estrangeiro: Eu diria que esse EP nasceu dentro de um pequeno quarto de uma pequena casa de uma cidade de 8 mil habitantes chamada Guaiçara (é a cidade do Rodrigo, fica ao lado de Lins). O Glauber Rocha dizia que pra fazer um filme era preciso uma câmera na mão e uma ideia na cabeça. Hoje estamos dando essa entrevista graças a esse EP, algo inimaginável pra nós, garotos do interior, até um tempo atrás. Eu diria que pra quem mora em Lins ou no interior de Rondônia talvez não seja tão longe, não quer dizer que seja fácil, mas dá pra acreditar. Esperamos que esse disco afete as pessoas verdadeiramente, que mobilize e que faça sentido. Que as pessoas se apropriem das canções e que dêem o significado que quiserem. (Nathã)

Entre Acordes: Quais os planos futuros da banda?

O Estrangeiro: Esse disco é nosso cartão de visita, temos muito material além do próximo disco que já está quase pronto, esperamos conseguir gravar os outros discos em estúdio, distribuir esse material de maneira a alcançar mais pessoas, fazer shows pelo Brasil, essa é a nossa expectativa pós-pandemia. (Hugo, Nathã, Rodrigo, Samuel e Pedro)

Entre Acordes: Qual o conceito por detrás da capa do EP?

O Estrangeiro: Em meio a tantos conceitos existentes, a capa do disco também não poderia deixar de ser conceitual. O ventre de um manequim feminino é o que inunda este quadro. O ventre que é símbolo de fertilidade e vida ganha aqui a esterilidade do plástico. O disco acaba por trazer esta sensação de plasticidade que nos toma de assalto em alguns momentos da vida. O manequim acaba por ganhar vida no decorrer do disco, passando por “Meus medos não me assustam mais”, na faixa Ursa Maior. Em Cartagena, ao dizermos “Eu já não me impressiono mais”, queremos passar essa sensação de frieza, de perda de humanidade. Então as coisas começam a mudar na faixa É Mister Saber, onde em meio a versos truncados, brota um refrão libertador que traz o pedido: “Deixe meu coração falar como anfitrião na ceia de natal!” e a partir da fala, da palavra que o eu lírico se apropria da própria história e do próprio sofrimento que é seu e a partir daí, rompe com tudo e vai em busca de novos sentidos, o que Destinos Extraviados nos conta e encontra na estrada: “O sangue na sua camisa resquício da briga contra o espelho (…) Trancou a casa, tinha o desejo de nunca mais voltar ali…”, é aí que o herói sai em sua saga. Demiurgo traz a constatação de que tudo é imperfeito, é a grande ironia do disco e por fim À Procura de Quem Não Tem Nenhum Motivo Pra Ser Encontrada termina na própria procura, no desejo que nos move e então, nos atiramos no mar e a busca continua, é assim a vida inteira. Então o conceito da capa acaba sendo este, a história de alguém que se sente enrijecido e estéril como plástico e que encontra, apenas na busca por sentido, a própria liberdade e, consequentemente, a humanidade que existe em si. (Hugo)

A equipe do Entre Acordes agradece demais a disponibilidade da banda e deseja todo sucesso e prosperidade na caminhada do grupo.

https://oestrangeiro.bandcamp.com/album/estado-de-s-tio-s-o-francisco

DOWNLOAD GRATUITO DO EP ESTADO DE SÍTIO SÃO FRANCISCO

https://www.facebook.com/bandaoestrangeiro/

Entrevista by @lukaspiloto7twister

 

Autor: Luc Rhoads

Um grande apaixonado por música e aventuras. Carioca, estudante de Educação Física, professor de inglês e vascaíno doente.

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