Entrevista com Douglas Bastos – Músico independente que faz uma bela mistura de Samba, Jazz, MPB e Pop

Hoje, o “Entre Acordes” traz uma bela entrevista com o músico carioca Douglas Bastos, grande cantor, compositor e guitarrista que faz um som excelente, misturando com muita precisão e qualidade elementos de Soul, Jazz, Samba e Pop. Douglas já traz na carreira dois ótimos álbuns lançados “Pra Ser O Que Você Seria” (2014) e “Orgânico” (2017), além do belo single “Amanhã Será” (2019).

Aqui, Douglas nos conta um pouco de sua história, suas ótimas composições, seus discos, influências, projetos atuais, planos futuros e etc.

Entre Acordes: Como começou a sua paixão por música? E quando isso se transformou em desejo de se tornar algo profissional?

Douglas Bastos: Comecei na música aos 8 anos de idade, tocando bateria. Junto com a música jogava capoeira e era muito apaixonado. Logo, os instrumentos de percussão foram muito presentes na minha formação. O violão só veio aos 14 e a guitarra lá pelos 17. O desejo de me tornar profissional veio quando montei minha primeira banda séria de Rock N’ Roll. Percebi que dava pra fazer disso uma profissão. Eu já cursava a faculdade de Administração, e antes de terminar a faculdade já fazia música de maneira profissional.

Entre Acordes: Você tem um trabalho muito autoral, quando começou a escrever suas próprias canções?

Douglas Bastos: Foi por volta dos 16 anos, 17 anos. Eu ja fazia uns esboços durante a infância, mas me lembro que a minha primeira música “séria” foi por essa idade. Um groove romântico.

Entre Acordes: Como funciona seu processo de composição? Tem alguma regra exata pra esse exercício?

Douglas Bastos: Tem tempos que eu componho mais. Eu gosto muito da solidão, porém fico muito pouco sozinho. Por vezes eu faço uma “solidão forçada”, pra poder compor. As vezes componho com o propósito da música ser mais complexa, as vezes mais simples, depende do intuito.

Entre Acordes: Costuma compor em parceria também? Qual a diferença mais significativa entre compor sozinho ou com alguém?

Douglas Bastos: Gosto de parcerias, geralmente sai algo que eu sozinho jamais faria. Acho que a diferença entre compor sozinho ou com parcerias é que quando se faz algo sozinho você pode decidir pra qual caminho a música vai seguir, com parcerias a gente não domina esse rumo. Rsrs.

Entre Acordes: Seu primeiro álbum “Pra ser o Que Você Seria” foi lançado em 2014. Onde foi gravado? Qual foi o processo de composição e gravação?

Douglas Bastos: Eu comecei a gravar esse disco em 2013. Gravei em um estúdio na cidade onde eu morava. Foi gravado completamente independente, gravei com a grana que eu ganhei com o que eu trabalhava na época. Foi um pontapé inicial bem interessante, eu tinha pouca experiência com gravações. Esse disco tem uma cara bem Rock n Roll e meio Fusion também. 

Entre Acordes: Qual o aprendizado que você tirou dessa gravação? Foi sua primeira gravação em estúdio?

Douglas Bastos: Eu tive mais aprendizado de vida do que musical nesse disco, eu acho. Aprendi a fazer as coisas com menos pressa. Eu já tinha gravado algumas coisas legais em estúdio antes, mas ali eu quis caprichar bem, era meu primeiro trabalho solo.

Entre Acordes: Ouvindo sua música, percebi uma mistura interessante e muito bem feita de Samba, Soul e MPB. Seriam as suas maiores influências?

Douglas Bastos: Acho que sim, esses três são os pilares do que eu faço, junto com o Jazz, que está presente nos meus solos de guitarra e violão.

Entre Acordes: Quais os artistas nacionais ou internacionais mais importantes na sua formação musical?

Douglas Bastos: Essa lista aí é bem grandona. Rsrs.

Eu acho que nos nacionais tem o Gil, o João Bosco, o Guinga, o Romero Lubambo, o Hélio Delmiro, o Milton, o Djavan e por aí vai. De outros países, acho que o Coltrane, O Miles, o George Benson, a Esperanza Spalding, o Joe Henderson, John Scofield, Gonzalo Rubalcaba. Tem muita gente.

Entre Acordes: Seu disco mais recente “Orgânico” de 2017, tem mais elementos de Jazz. Seria uma tendência que você pretende permanecer no som daqui pra frente?

Douglas Bastos: Os elementos de Jazz estão em tudo o que eu faço. Seja harmonicamente ou nos improvisos. Ao mesmo tempo que quero seguir um som com um approach popular, também quero fazer algo mais rebuscado, é aí que a matemática as vezes bate e as vezes não bate. Rsrs. Mas sigo fazendo o que acho válido.

Entre Acordes: O disco foi gravado no mesmo local do primeiro?

Douglas Bastos: Não, eu tive a honra e o privilégio de ter sido convidado pelo Anderson Dada, do Afroreggae, pra gravar esse disco lá. Foi todo gravado no estúdio do Afroreggae em Vigário Geral. Somente gravei algum vocal e violão em outros lugares, mas pouca coisa.

Entre Acordes: A faixa “Nunca Parar de Sonhar” tem uma mensagem linda e recebeu um belo vídeoclipe! Qual a mensagem que você quis passar com esse trabalho?

Douglas Bastos: Legal você falar sobre isso. Essa faixa nada mais é do que eu mesmo, sabe? Eu sou um artista independente e se não fosse Deus, minha esposa e minha família me ajudarem a continuar sonhando, eu já teria parado de fazer música. É muito difícil fazer o que eu quero fazer no Brasil, mesmo sendo a música daqui, a nossa música. 

Então eu acho que não só pra mim, mas pra pessoa que sonha em seguir uma profissão, fazer uma faculdade, passar num concurso, arrumar um emprego, um trabalho, abrir um negócio, vencer na vida de alguma forma, seja ela qual for, essa música é valida. “Toda manhã te dá a chance de ser melhor, acorda que o dia te chama pra vencer”. Se a gente reparar direitinho, todo dia Deus dá uma vitória pra gente, que parece pequena, mas nunca é, sempre é enorme. Estar vivo é uma dádiva.

Entre Acordes: Qual a sua visão sobre a cena musical brasileira atual?

Douglas Bastos: A gente continua tendo muita gente boa, mas muito boa mesmo, que surge todo ano. Compositores, músicos e intérpretes que dão gosto de ver. Gente compromissada com a verdade e com a música feita da melhor forma possível, seja ela mais simples ou mais rebuscada. Acho que o importante é ter verdade e tem gente que faz as coisas com muita verdade. O grande desafio é furar a bolha e fazer com que o trabalho chegue nas pessoas que querem consumir a sua música.

Entre Acordes: Poderia citar 5 discos que formaram o seu gosto musical e que tiveram influência na sua música?

Douglas Bastos: Isso é desafiador, porque tiveram muitos discos de gêneros diferentes que me ajudaram em muito na minha formação. E também  penso que haverão outros que virão e que também serão bem legais.

Acho que esses aqui foram bem presentes: 

  • That’s Right – George Benson.
  • Bright Size Life – Pat Metheny.
  • Outras Palavras – Caetano Veloso.
  • Californication – Red Hot Chilli Pepper’s.
  • O Universo Musical de Baden Powell – Baden Powell.

Entre Acordes: Falando em discos. Como você vê enxerga a cultura do disco e dos singles aleatórios que estão virando tendência hoje. Você vê como algo positivo?

Douglas Bastos: Acho que esse lance de single é legal pra dar uma visibilidade na carreira, com pouca grana. Se você conseguir emplacar um single, estará melhor posicionado no mercado. Mas o conceito de um álbum ainda é o que me apaixona.

Entre Acordes: E quais os seus planos futuros? 

Douglas Bastos: Lançar coisas novas, e continuar tentando passar minha verdade para as pessoas, e fazer com que elas transcendam com a música. Sou apenas um instrumento. Sobre prazo de lançamento, creio que quando todo esse período passar, se Deus quiser!

A equipe do “Entre Acordes” agradece imensamente a disponibilidade para esta linda entrevista. Desejamos saúde, inspiração e sucesso para ao nosso grande e querido Douglas Bastos. Muito obrigado, irmão.

Site oficial Douglas Bastos: https://douglasbastos.com/

Página oficial no Facebook: https://m.facebook.com/DouglasBastosOficial/

Perfil oficial no Instagram: https://instagram.com/eudouglasbastos?igshid=rwi02kh56k7w

Abaixo, todos os lançamentos musicais de Douglas Bastos disponíveis até então:

Autor: Felipe Silva

28 anos, paulista, corinthiano, e o mais importante, consumidor compulsivo de música! Rock, Soul, Funk, Blues, Jazz, MPB, que a música boa seja exaltada independente de gênero. God bless you all.

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