O homem que não estabelecia fronteiras em sua música: 40 anos de PETER GABRIEL III!

De todos os medalhões do Rock que deixaram suas bandas e seguiram carreiras solo, não há outro que me agrade e me instigue tanto quanto PETER GABRIEL. Ainda no Genesis, ele já demonstrava, com sua voz soturna, suas indumentárias extravagantes e em suas letras profundas, que apenas o mundo do Rock Progressivo não seria o bastante para suas ambições artísticas. Em 1977, lança o seu primeiro disco, auto-intitulado e, no ano seguinte, já lança o segundo. No entanto, é no seu terceiro disco que Peter começa a ganhar notoriedade e a fazer com que começássemos a prestar bastante atenção no que ele tinha para nos dizer.  Em 1980, portanto, há 40 anos – completados hoje -, era lançado o sublime MELT (também chamado de Peter Gabriel III).

A participação de seu ex-colega de Genesis Phil Collins é essencial para uma mudança de chave dos anos 70 para os 80: Phil toca bateria em praticamente todas as faixas, onde, em algumas delas, podemos notar aquele som de ”Gated Drum” tão característico nas músicas de Collins e que moldariam boa parte do som de bateria oitentista. Além dos elementos técnicos inovadores, as letras altamente politizadas e contestadoras de Gabriel começam a ficar cada vez mais incisivas, nas quais já percebia-se seu ativismo político no movimento anti-guerra.

PG2

Assim como os anteriores e posteriores, Melt é um disco espetacular, podendo soar um tanto quanto estranho para alguns, e, de fato, os discos de Gabriel Pré SO, não são dos mais palatáveis para o grande público, justamente pelo fato de serem sombrios, carregados de sons eletrônicos e tudo bem diferente do que ele fazia no Genesis; mas a imersão vale muito a pena. Músicas como ”Games Without Frontiers” (com backing vocals de Kate Bush) e ”Biko”, as quais tratam exatamente sobre temas bélicos -sendo a segunda uma de sua músicas mais famosas e que trata sobre o Apartheid – canções absolutamente incomuns no mesmo nível que são espetaculares

  ”And Through The Wire” conta com a participação de Paul Weller na guitarra, à época gravando com o The Jam em um estúdio vizinho ao de Gabriel; ”No Self Control” e ”Not One Of Us” contam com a inconfundível guitarra de Robert Fripp (King Cromson), não por acaso são duas das melhores músicas do disco. A produção do álbum ficou a cargo do próprio Peter Gabriel e a Steve Lillywhite.

Inovações técnicas, produção impecável, participação de grandes nomes da música, letras fortes e profundas sobre temas pesados, porém, à época (ou são até hoje?), totalmente em voga… Elementos não faltam para que Melt seja um grande disco, e demonstra todo o talento e perspicácia de Peter sobre estar sempre atualizado – às vezes, até um passo a frente – com as tendências e sonoridades quando da gravação de seus trabalhos. Não à toa, em 1986, ele lançaria um dos discos mais famosos da música (com texto aqui no blog). Se ainda não escutaram, façam o dever de casa o quanto antes, este cidadão merece e muito.

A text by @lukaspiloto7twister

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Autor: Luc Rhoads

Um grande apaixonado por música e aventuras. Carioca, estudante de Educação Física, professor de inglês e vascaíno doente.

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