Há males que vêm para o bem. A primeira pérola oitentista do Roxy Music.

Mesmo após sua fase áurea, o ROXY MUSIC ainda tinha, mesmo que timidamente, lenha para queimar. No entanto, os problemas internos que já haviam causado estragos na formação clássica da banda persistiam; o baterista Paul Thompson deixara a banda antes do processo de gravação do nosso aniversariante de hoje, Flesh + Blood, que completa exatos 40 anos. Reduzida ao trio Bryan Ferry, Phil Manzanera e Andy Mackay, o Roxy Music entrou de cabeça na sonoridade oitentista – não que fosse algo muito incomum à banda – e conseguiu fazer com que o recém lançado disco alcançasse a 1º colocação das paradas britânicas, o que já não aconteceu em solo americano, onde o disco atingiu apenas a 35º colocação no top 100 da Billboard.

Sabe aquele tipo de disco que te acolhe, te trata com carinho e faz com que o tempo passe num estalar de dedos sem que você perceba? São essas as sensações que encontrarão ao colocarem este ótimo álbum na vitrola. Abra uma garrafa de vinho, monte uma pista de dança na sala da sua casa, convide os amigos para compartilhar 42 minutos de alegria e agitação. Canções pop simples, sem grandes sofisticações, o que poderia fazer com que considerássemos Flesh + Blood overrated. Porém, o feijão com arroz é tão bem temperado, o que nos faz apreciar seu aroma e seu sabor sobremaneira que não sentimos falta de um complemento.

Poderão notar tudo isso que vos disse ao se depararem com músicas como ”In The Midnight Hour”, ”Oh Yeah”, ”Same Old Scene”, ”My Only Love”, ”Running Wild” entre outras. Não havia dúvidas: o Roxy Music ainda estava vivo e Flesh + Blood serviu de base para que, dois anos depois, um disco ainda melhor e mais aclamado fosse lançado; mas isto é assunto para uma outra oportunidade. Por ora, deleitem-se com este ótimo disco e percebam o que um grupo esfacelado internamente e cheia de problemas é capaz de fazer, mesmo não estando mais em seus melhores dias. Esse exemplo é muito latente em várias bandas, se enganam aqueles que associam produtividade à harmonia. No famigerado mundo da música, briga nem sempre é sinônimo de fracasso, e este álbum é a prova real disto.

A text by @lukaspiloto7twister

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Autor: Luc Rhoads

Um grande apaixonado por música e aventuras. Carioca, estudante de Educação Física, professor de inglês e vascaíno doente.

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