Os 10 anos de “Innerspeaker”: o pontapé inicial do Tame Impala

A história do Tame Impala está inteiramente atrelada à uma época onde plataformas como My Space eram a maior vitrine pra bandas que posteriormente seriam abordadas por alguma gravadora, deixando de ser uma banda de garagem e, assim, alçando novos voos. Foi graças à essa rede social que se fez possivel a banda enviar algumas demos e, a partir disso, começar a trabalhar em algo melhor produzido. Quanto ao som, o que nasceu disso foi um disco com influência direta e confessa da psicodelia dominada majoritariamente pelo final da década de 60 e início da de 70, como Pink Floyd, Cream e Beatles. O que podemos ouvir nesse debut é uma série de riffs lisérgicos, incursões psicodélicas com um pé no pop, paredes de som com uma bateria robusta e momentos contemplativos, tudo convergindo com uma abordagem renovada e moderna de algo que fora amplamente difundido há mais de 4 decadas, mas que aqui é feito com um ar de frescor.

A mente por trás desses conceitos tem um nome: Kevin Parker. Classificada por ele mesmo como a banda de um homem só, é o seu nome que consta nos crédito de todas as faixas, embora conte com músicos de apoio nas apresentações ao vivo; na essencia, ele é o encarregado de, na solidão de seu próprio estúdio, gravar boa parte dos instrumentos. Em sua própria casa, Kevin modelou o som que adotaria no disco, essa é a maneira que ele gosta de trabalhar pra definir sua obra: apenas ele, sem a interferência de conflitos de ideias e cobranças.

Com doses de lisergia, um clima vintage/intimista e letras que abordam solidão, conformismo, desequilíbrio emocional e desilusões amorosas, o resultado se dá com leves melodias que parecem suavizar a mensagem a ser passada, remetendo à uma calmaria como se o ouvinte estivesse preso naquela ambientação por pouco mais de 50 minutos, possibilitando um clima etéreo que permeia por todo o disco. O Tame Impala firma-se como um ótimo exemplo de como se resgatar elementos do passado, o fazendo de forma sutil, seja na tentativa de emular os arranjos ou no cuidado de como cada instrumento irá soar, preservando a essência de uma época, formando uma ponte sólida entre o ontem e o hoje.

Autor: Régis Moura

30 anos, piauiense, ávido ouvinte de música desde que se considera por gente, com interesses que permeiam desde rock nacional, passando pelo bom e velho hard rock, até o heavy metal.

4 pensamentos

  1. Continuem assim Entre acordes. Isso ta virando um templo da boa música.
    Olha como o colega acima bem falou meus parabéns, um dos textos mais de classe que já vi aqui.

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