Rock ‘n’ Roll se Faz Ao Vivo – 50 Anos de “Live At Leeds”

É ao vivo que o Rock ‘n’ Roll acontece, onde uma banda pode provar-se só mais uma ou algo especial. E não é segredo pra ninguém que, em cima do palco, o The Who é uma força a ser temida. Seja roubando completamente a cena dos Rolling Stones em seu “Rock And Roll Circus” (1968), ou extasiando a platéia americana com seus shows incendiários no Fillmore East (curiosamente, um dia após o assassinato de Martin Luther King), a banda já demonstrava uma porradaria nunca antes vista. Mas, no início dos anos 70, a coisa chegou a outro patamar. Sob o “Efeito Tommy”, eles atingiram seu auge absoluto. Roger Daltrey passou de um ótimo vocalista para um DEUS, a epítome do frontman setentista. A cozinha propulsora, com os ritmos imprevisíveis de Keith Moon e a o terremoto das quatro cordas de John Entwistle, soava potente como nunca, enquanto Pete adicionava às suas já obras-primas uma selvageria incrível. Para nosso deleite eterno, essa fase foi documentada no que é, para mim, o melhor disco ao vivo de todos os tempos. Nada mais nada menos que “Live At Leeds”, que hoje completa 50 anos!

Com o próposito de lançar um disco ao vivo, a banda grava dois shows, nos dias 14 e 15 de fevereiro de 1970. O primeiro deles na Universidade de Leeds. O segundo, na pequena cidade portuária de Hull (que foi lançado há alguns anos e é espetacular!), que acabou sendo o escolhido. Mas, devido a alguns problemas técnicos, eles foram obrigados a aproveitar a primeira apresentação, e se surpreendem com sua qualidade. Após alguns meses de mixagem, “Live At Leeds” estava pronto. Apesar de ser originalmente planejado como um disco duplo, ele acabou sendo lançado em formato simples, com apenas 6 músicas, sendo 3 delas covers. Em 1995, veio a versão expandida, mas só recentemente foi lançado o show inteiro, que conta com uma performance completa de “Tommy” (1969), que é, com certeza, a versão que mais recomendo.

O disco abre com a porrada “Heaven And Hell”, cantada por John Entwistle, que entrega também uma linha de baixo ALIENÍGENA. Em seguida, “I Can’t Explain” ganha sua versão definitiva, assim como os singles “Substitute”, “I’m A Boy” e “Happy Jack”, todos clássicos que aqui são ligados em altíssima voltagem, destacando a confiança inabalável de Roger Daltrey nos vocais. Impossível não visualizar seus trejeitos dignos de Frontman, girando o microfone, em sua visual de “Golden God”. A performance da primeira mini-opereta Rock ‘n’ Roll do Who “A Quick One, While He’s Away” é mais um destaque absoluto e divertidíssimo, já que cada membro interpreta um personagem nessa curiosa história de amor entre uma mulher desamparada e um maquinista. Já “My Generation” se transforma numa jam simplesmente intensa, onde Townshend entrega um de seus Riffs mais dilacerantes.

Os covers são um show à parte. “Young Man Blues”, clássico do jazzista Mose Allison, onde Moon “the Loon” mais parece uma metralhadora, destruindo seu Kit no seu tradicional estilo selvagem que guia uma jam sensacional. Ritmicamente inconstante, sim, mas a beleza está na imperfeição! “Summertime Blues” (Eddie Cochran) é outra versão que merece destaque, já que o Who basicamente se apropriou da canção, merecidamente!

A performance de “Tommy” também é simplesmente irretocável. A aura mais grandiosa e artística do álbum fica muito mais visceral, gerando momentos transcendentais como “Amazing Journey/Sparks”, ou a épica versão de “We’re Not Gonna Take It”, fechando tudo de maneira maravilhosa.

Concluindo, “Live At Leeds” é um disco ao vivo obrigatório. Capturando o The Who no seu auge em cima do palco e à todo vapor, é um documento histórico de valor inestimável. Que os power chords de Townshend, a tempestade percussiva de Moon, o trovão do contrabaixo de Entwistle e o poder da voz de Daltrey ressoem pelos 50 anos vindouros, e para sempre!

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Autor: Caio Braguin

16 anos, baterista, aficionado por música (e todas as formas de arte) desde o berço. Música é minha vida!

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