A banda que, assim como Poseidon, possui poderes divinos.

Uma das bandas mais curiosas e talentosas de todos os tempos com certeza é o KING CRIMSON. Liderado pelo engenhoso guitarrista Robert Fripp, o grupo inglês entrava em estúdio para gravar o sucessor da obra prima e revolucionária que foi o álbum de estreia da banda, o aclamado In The Court Of The Crimson King; seguindo a linha de seu antecessor – algo que não era muito comum na banda – In The Wake Of Poseidon não dá para dizer que foi um passo a frente, mas, sim, a confirmação de que o Crimson era de fato algo fora da curva.

As trocas de formação também eram muito frequentes, tanto é que, até hoje, o único membro original que permanece desde o início é Robert Fripp. Para este disco, Andy McCulloch assumiu as baquetas no lugar de Michael Giles (que ainda toca em algumas músicas); Greg Lake faria também sua última participação, tendo Gordon Heskell assumido os vocais em uma música. Enfim, se a gente for falar das saladas mistas que são as formações do King Crimson não vamos sair do lugar. É basicamente a formação do primeiro álbum e o fim do ciclo de alguns membros que sairiam logo em seguida.

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Psicodelia, Rock Progressivo, flertes com o Metal e pitadas de Fusion definem In The Wake Of Poseidon; se em termos de sonoridade ele é bem parecido com o anterior – o que não dá pra dizer que seja algo negativo – neste álbum temos canções extraordinárias como a faixa título, cantada magistralmente por Lake e o instrumental sempre perfeito e bem elaborado do Crimson.”Cadence and Cascade” é uma bonita balada que puxa muito para o lado do Folk com sua flauta hipnotizante e belos fraseados de violão.

”Pictures Of a City” é aquela porrada tradicional da banda, muito remete a 21st Century Schizoid Man: agressiva, pesada e altamente psicodélica; de fato era uma banda muito diferente, nada conseguia soar como eles, é o caso de te deixar absolutamente boquiaberto e se perguntado ”como eles pensaram nisso”? Esta pergunta volta à tona em ”Cat Food”, um petardo psicodélico com um vocal meio rapper, se é que dá pra chamar assim; linhas de baixo MARAVILHOSAS de Peter Giles e o som magnificente que Fripp tirava de sua guitarra. Que música instigante!

O ponto negativo do disco – que é marca registrada da banda – é a suíte de mais de 11 minutos ”Devils Triangle”; o som lunático e complexo do Crimson, em sua maioria, é de altíssimo nível, porém nesta música é altamente repetitivo e maçante, em vários pontos onde não há nada além de barulhos de ventos ou sons que não dizem quase nada. Quando finalmente entra o instrumental basicamente repete a mesma coisa, e isso se arrasta pelos 11 minutos e meio da canção. Um final um tanto quanto melancólico a este grande disco, que desce perfeitamente redondo do início ao quase fim.

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Bom, precisamos falar da capa, afinal de contas, é das mais prolixas que você vai encontrar; a pintura é de Tammo de Jongh e é chamada de as 12 faces da humanidade. O louco, a atriz, o observador, a velha mulher, o guerreiro, o escravo, a criança, o patriarca, o coringa, a encantadora, the logician e a mãe natureza. Estes são os 12 rostos representados na capa; caberia um texto para falar exclusivamente sobre isso, pois alongar-se-ia muito aqui. Basta saber que é um disco fantástico e que tem muito o que explorar sobre ele. Conteúdo é algo que nunca faltou no King Crimson e é por isso que eles estão no mais alto patamar dentro do Rock.

A text by @lukaspiloto7twister

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Autor: Luc Rhoads

Um grande apaixonado por música e aventuras. Carioca, estudante de Educação Física, professor de inglês e vascaíno doente.

2 pensamentos

  1. Um excelente álbum de uma fase primordialmente psicodélica e proto prog do Crimson. É uma sequência do primeiro e não uma repetição, como alguns formadores de opinião mencionam, e conta com as letras revolucionárias, apocalípticas e vanguardistas de Peter Sinfield que estrutura o conceito deste álbum. Parabéns pela resenha e lembrança de uma fase avant garde do King Crimson e da história do rock.

    1. Valeu, Bruno! Pra mim, o KC não tem disco ruim, em todas as fases eles foram impecáveis; sempre com muita variação e experimentação, além, é claro, de muita qualidade instrumental e lírica

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