McLemore Avenue: A tradução dos Beatles para o Soul

Hoje eu roubei um texto do Felipe, para falar da grande banda Booker T. & The M.G.’s e sua incrível releitura dos Beatles em McLemore Avenue. Em 1969, Booker T. Jones se maravilhou ao escutar Abbey Road, segundo ele mesmo “foi extremamente corajoso por parte dos Beatles deixar sua fórmula de lado e se moldar musicalmente como fizeram (em Abbey) […] Eles eram a banda número um do mundo, mas mesmo assim se reinventaram”. Jones sentiu a vontade de fazer esse tributo e o resultado não poderia ser melhor. Entre tantas releituras dos Beatles que já foram feitas esta é uma das mais especiais. Vamos mergulhar mais afundo e ver o porquê.

Começamos com o medley do Abbey Road, e já sentindo a magnitude dessa releitura. Booker T. Jones carrega a banda tecendo toda uma cama para o resto da banda tocar em cima, de uma maneira que há muito espaço na música de McLemore Avenue, mas não falta nada e nada poderia fazer a música melhor. Em “The End”, vocais mais tranquilos, graves e “soul” do que a versão dos beatles seguidos por um clímax também altíssimo nos levam para a versão de Here Comes The Sun, onde o protagonista é a guitarra chorada de Steve Cropper. No final ainda tem uma versão instrumental de Come Together.

A coisa toda é coesa, com um tom de jam, mas ainda assim muito bem pensada. Eu pensei bastante sobre o que faz esse disco especial, e a melhor resposta é que ele é muito fiel a o que é: uma homenagem. Não é como Stevie Wonder fez em We Can Work It Out, Joe Cocker em With a Little Help From My Friends ou U2 em Helter Skelter (alguns vão achar que deveria ter citado o Motley Crüe nessa), mas sim uma coisa própria. Como mencionei anteriormente temos muito espaço, a música respira de uma maneira que quase nunca se vê.

Something vem com uma versão “upbeat”, e depois Because começa parecendo uma reedição do Black Sabbath, escalando e culminando em Pink Floyd. Depois de You Never Give Me Your Money e um outro medley do lado B de Abbey vamos para o período incial da carreira dos besouros com um shuffle de You Can’t Do That, uma Day Tripper mais cadenciada e uma Michelle com o baixo e o groove comandando. O som se mantem estável ao longo do disco e fechamos com mais uma versão que parece ser uma reedição do Black Sabbath em “Eleanor Rigby” e uma Lady Madonna jazzística incrível. Bom, se isso tudo não foi uma descrição boa o suficiente sobre o disco, não sei o que é, e portanto fico por aqui sem conclusão mesmo. McLemore Avenue 50 anos!!!

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Autor: allanfranzner

Guitarrista, amante e entusiasta da música, principalmente do rock n' roll!

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