Hey, amigo! Cante a canção comigo: 45 anos do fantástico ”Criaturas da Noite”.

O Rock brasileiro nos anos 70 tem a faceta de conseguir ser fantástico na mesma proporção que é esquecido; especialmente no que tange o Rock Progressivo. Facilmente podemos citar bandas que não deixam nada a dever aos grandes nomes do gênero. Hohe, falaremos justamente sobre uma dessas bandas: O TERÇO.

Banda formada por Sérgio Hynds (guitarra), Sérgio Magrão (baixo), Luiz Moreno (bateria) e Flávio Venturini (telados). Uma das curiosidades da banda é que todos exercem a função de vocalistas. ”Criaturas da Noite”, terceiro disco da banda, completa hoje 45 anos de existência. Precisamos muito falar sobre isso…

No início dos anos 70, além do Hard Rock, o Rock Progressivo reinava na Europa – principalmente na Inglaterra. Yes, King Crimson, Genesis, Emerson, Lake and Palmer etc, inspiraram muitas bandas fora da Terra da Rainha a surfarem a onda dos arranjos complexos, passagens instrumentais complicadas e misturas do Rock com a música erudita. No Brasil não seria diferente; e é neste contexto que surge esta incrível banda.

T3

O Terço já tinha gravado dois álbuns anteriormente que foram bem recebidos pela crítica, mas ainda faltava aquele ”BOOM” para alçá-los a uma posição de destaque. Para tanto, convocaram ninguém mais ninguém menos que o maestro Rogério Duprat para fazer os arranjos orquestrais. O resultado é a maravilha de disco que é Criaturas da Noite; briga de igual pra igual com outros dois discos desta época para ser o meu favorito dos anos 70 no Rock nacional (Se você é curioso, os outros são: Fruto Proibido e Snegs).

Criaturas da Noite pode te fazer ater cabeça e delirar com uma petardo de Rock and Roll como ”Hey Amigo” e sua intro de baixo clássica e seu riff poderoso; mais do mesmo encontra-se em ”Volte na Próxima Semana”, uma música com um quê de Heavy Metal. Por outro lado, você também pode ser acometido por músicas mais folk e rurais, como a lindíssima ”Queimada” e a própria faixa-título. Vale ressaltar também as perfeitas vocalizações presentes em boa parte das faixas, que faz parecer como se fosse um outro instrumento nas canções.

T2

”Pano de Fundo” é uma faixa com um clima mais denso e cadenciado sem perder a agressividade – remete um pouco a Black Sabbath. No entanto, quem rouba a cena aqui é a música que encerra o disco: a MARAVILHOSA ”1974” e seus mais de 12 minutos de duração. não tenho palavras para explicar o quão bela é esta música; o instrumental, a orquestração, a cozinha, os teclados… tudo é muito bem encaixado e executado.

Geralmente, o que distancia as pessoas dessas bandas nacionais, além do desconhecimento, é o fato de se incomodarem com as letras em português, que pode soar um tanto quanto estranho aos ouvidos mais crus. Liricamente falando, é compreensível que não te atraia tanto, mas tenho certeza que a parte instrumental e melódica vão compensar, com sobras, tudo o que falta nas letras. Deem uma chance, a recompensa será enorme.

A text by @lukaspiloto7twister

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Autor: Luc Rhoads

Um grande apaixonado por música e aventuras. Carioca, estudante de Educação Física, professor de inglês e vascaíno doente.

2 pensamentos

  1. O auge do Terço: “Criaturas da Noite”! Não vejo prog rock apenas nesse grande album: tem folk, tem hard, tem música regional…por isso que agradou, mas, como bem disse, ainda há muita rejeição do público, principalmente pelo fato da língua. Uma bobagem! Isso não pode ser encarado como barreira! Dicção!!

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