As últimas notas de Rory Gallagher: 30 anos de Fresh Evidence!

Na música sempre há alguém com o qual você cria uma enorme identificação e admiração, por diversos motivos. No meu caso, RORY GALLAGHER me despertou o interesse pela sua ousadia, fidelidade á suas ideias e pela volúpia em cima dos palcos; não importa se para 300 ou 30 mil pessoas, o irlandês voador era o mesmo alucinado com a sua inseparável Stratocaster. Ao longo de sua carreira, recebeu propostas pomposas para integrar grandes bandas como Deep Purple e Rolling Stones, mas declinou,  a fim de preservar aquilo que ele mais prezava: O amor ao Blues, além da mínima vontade em ter que se adequar ao mercado ou às tendências vigentes à época; sua paixão sempre o fez remar contra a maré.

Hoje, comemoramos o trigésimo aniversário de seu último e mais subestimado disco, o qual, mais uma vez, Rory virou as costas para o cenário que o cercava e gravou um disco de Blues raiz. FRESH EVIDENCE não dá pra ser considerado apenas mais um disco de sua carreira, tão prematuramente abreviada. Nesse disco, Gallagher, ao lado do seu fiel escudeiro, o baixista Gerry McAvoy, e o baterista Brendan O’Neil, mostra que sua morte, 5 anos mais tarde, deveria ser muito lamentada, vide a qualidade do material que ele tinha na manga.

À medida que o título infere, Rory fez questão de gravar um álbum novo e diversificado que incluiria rock’n’roll, blues e jazz. Para conseguir isso, ele usou uma variedade de músicos convidados e Lou Martin, no piano, retornando à banda após uma ausência de mais de 10 anos. Isso deu a ele a instrumentação adicional que ele queria. Ademais, em Fresh Evidence, Rory faz o uso de dois instrumentos que fizeram parte da sua infância e, assim como a guitarra, aprendeu-os a tocar por conta própria: Cítara e Bandolim.

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Entretanto, o álbum explora temas como problemas de saúde, mortalidade e luta contra adversidades avassaladoras. Isso mostra o preço que a vida desregrada de Gallagher estava cobrando; ainda sim, um disco digno, sincero e excelente de um dos maiores guitarristas da história. Logo na música que abre o disco, ”Kid Gloves”, já vemos que, mesmo debilitado, Rory tinha força e garra para entrar no estúdio como se fosse a primeira vez. ”The King Of Zydeco”, ”Alexis”, ”Ghost Blues”, a fantástica ”Heaven’s Gate” o pequeno número de Jazz ”The Loop”, minha preferida ”Walkin’ Wounded”, entre outras.

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Sobre o disco, Rory declarou:

”Este álbum exigiu muito de nós, eu posso te dizer. Demorou cerca de seis meses para fazer, o que é realmente muito tempo. Parece uma música relativamente simples, mas estávamos tentando obter um bom som étnico, vintage na produção e tudo mais. Nós usamos muitos microfones antigos de válvula, eco de fita, reverbs de mola antigos e coisas assim, em vez de usar todo o equipamento digital.”

 

Ou seja, em pleno anos 90, lá estava Rory Gallagher reabrindo sua cartilha, que, na verdade, nunca se fechou, e querendo deixar bem claro que não importa o que querem que ele faça, não importa se o gênero está fora de moda, não importa se vão falar bem do disco ou não; o que interessa e sempre interessou para Rory era a paixão e o amor pela música, algo que ele nunca abriu mão, tampouco deixou de lado em prol de ser mais reconhecido ou popular. E esse é o maior ensinamento que ele nos deixou: ACREDITE NO QUE VOCÊ FAZ E FAÇA SEMPRE COM MUITO AFINCO E DEDICAÇÃO. Descanse em paz,esteja onde estiver, Rory.

A text by @lukaspiloto7twister

 

Autor: Luc Rhoads

Um grande apaixonado por música e aventuras. Carioca, estudante de Educação Física, professor de inglês e vascaíno doente.

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