30 Anos de “Spiritual Healing” – O Death Atingindo Outro Patamar

Os primeiros anos do Death sintetizam perfeitamente a gênese do Death Metal. Um som cru, pesado, acelerado, ainda com a presença forte das raízes do Thrash, como fica evidente na lendária estreia Scream Bloody Gore (1987). Mas, sob a liderança perpétua do genial Chuck Schuldiner, a banda seguiu numa ascendente incrível, sofisticando-se cada vez mais. Spiritual Healing (1990) é a prova viva dessa evolução, e nesse ano completa seu trigésimo aniversário!

O disco mostra uma grande guinada para a banda. Tanto sonoramente, com a entrada do guitarrista James Murphy e seu estilo mais elaborado, quanto liricamente, onde Schuldiner abandona os grotescos contos de horror de outrora para tocar em temas mais contundentes como a hipocrisia evangelista (já evidente na capa), aborto e problemas psicológicos, mostrando os primeiros passos desse que se tornaria um dos grandes letristas do Metal nos anos posteriores. A produção também dá um salto impressionante, com as mãos do mestre do Death Metal Scott Burns, garantindo um som sensacional.

O álbum já nos recebe com dois clássicos: “Living Monstrosity” e “Altering The Future”, que demonstram muito bem a face desse novo Death, mais cadenciado, cheio de mudanças bruscas de andamento, passagens intrincadas e até mais melódicas. Pra quem gosta de riffs DIABÓLICOS, o disco é um festival, vide “Within The Mind” e “Genetic Reconstruction”, onde Schuldiner nos entrega vocais ainda com resquícios da selvageria dos discos anteriores. Mas, o destaque absoluto é a majestosa faixa-título, com seus quase 8 minutos de pura maestria instrumental e melódica, contando até com uma passagem de teclados. Uma pérola!

Após o lançamento do disco, num evento bizarro, o baterista Bill Andrews e o baixista Terry Butler realizaram uma turnê, sob o nome Death, mas com outro vocalista (!), o que ocasionou a demissão de ambos. A partir daí, Chuck Schuldiner passou a trabalhar apenas com músicos de estúdio, o que foi vital para a materialização de Human (1991), que realmente iniciaria um novo (e magnífico) capítulo na discografia da banda, mas isso é assunto pra outro texto. Por ora, celebremos os 30 anos dessa obra-prima!

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Autor: Caio Braguin

16 anos, baterista, aficionado por música (e todas as formas de arte) desde o berço. Música é minha vida!

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