O rearranjador que permanece poderoso. 15 anos de Mighty Rearranger, o álbum mais Ledzeppeliano de Plant

Que Robert Plant sempre gostou de ritmos exóticos e diversos isso todos nós sabemos. Que o Led Zeppelin era adepto a experimentações isso também sabemos. O que pouca gente sabe, pelo menos o que dá pra notar quando abordo o assunto, é a INTERESSANTÍSSIMA carreira solo que tem o senhor Plant. Após o término do Led, Plant lançou seu primeiro álbum logo em 1982 e, ao longo da década de 80, lançou discos mais voltados para o pop e synthpop. Na década de 90, lança o ESPETACULAR Fate Of Nations e logo em seguida excursiona pelo mundo com Jimmy Page com o projeto No Quarter e também lançam um ótimo disco juntos em 1998 chamado Walking Into Clarksdale.

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O fim da parceria com Page e a chegada dos anos 2000 fez com que a carreira de Plant ganhasse contornos de incertezas. Afinal de contas, seria ele capaz de manter-se relevante e ainda produzir bons trabalhos? A resposta fica clara e evidente com o ótimo Dreamland de 2002. No entanto, o nosso alvo aqui vai para o aniversariante do dia e o disco que mais se aproxima do que Plant fazia em sua antiga banda famosa. Estou falando de Mighty Rearranger que hoje completa 15 anos de vida.

Assim como seu antecessor, este álbum também conta com a participação da Strange Sensation, banda que acompanhara Robert Plant ao longo da primeira década do novo milênio. Digo sem nenhum medo de errar que, dentre os grandes medalhões do Rock que saíram em carreiras solo, Robert Plant está entre os mais interessantes e instigantes sem dúvida nenhuma; o cuidado com o qual Plant trata seus trabalhos, o bom gosto, a pluralidade de estilos e a estética muito bem elaborada fazem com que você não deva perder nem mais um segundo sequer sem correr atrás destes álbuns.

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Falando especificamente do nosso aniversariante, Mighty Rearranger, é um disco que poderia tranquilamente ter sido lançado nos anos 70 que faria muito barulho. A mistura do Rock com o Folk e ritmos orientais – que seriam muito comuns nos álbuns subsequentes de Plant – dão um tempero especial e atrativo ao disco. E é justamente o que faz de Plant alguém diferenciado, a capacidade de mesclar aspectos intrínsecos de gêneros aparentemente destoantes entre si e resultar num encaixe sonoro perfeito.

Vale ressaltar que as músicas do álbum são repletas de conteúdo militar e político devido o ataque ao World Trade Center, em setembro de 2001.  ”Another Tribe” e ”Freedom Fries com seus jingoísmos americanos (nacionalismo exacerbado em forma de uma política externa feroz); ”Tin Pan Valley” e sua pegada de rock clássico. A sublime ”All the King’s Horses”, uma das mais bonitas baladas acústicas de Plant.

”Shine It All Around” com sua psicodelia densa graças a presença espiritual de John Bonham na bateria, já que a técnica de bumbo e o peso que lhe eram característicos são facilmente notados logo na primeira nota. A multifacetada ”Let The Four Winds Blow” é outro arauto distinto na seleção de faixas. O álbum ainda traz as ótimas ”The Enchanter” e ”Dancing In Heaven”, canções estas que poderiam estar tranquilamente no Led III.

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Anos atrás, mais especificamente em 2010, eu tive a chance de ir a um show do Plant DE GRAÇA e declinei pelo fato dele quase não tocar Led Zeppelin e por não ter muito interesse em sua carreira solo à época; talvez eu ainda não fosse maduro o suficiente para absorver todo aquele conteúdo deveras profuso. Pelo amor do santo Deus, não sejam tolos como eu fui, corram atrás, caso ainda não conheçam, dos discos deste que é um dos maiores artistas do século XX e que continua altamente prolífico no século vigente.

A text by @lukaspiloto7twister

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Autor: Luc Rhoads

Um grande apaixonado por música e aventuras. Carioca, estudante de Educação Física, professor de inglês e vascaíno doente.

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