O Glorioso Marco Zero do Viking Metal – 30 anos de “Hammerheart”

Quando se fala em Metal Extremo, o Bathory estava sempre um passo à frente. Fazendo Black Metal desde 1984 (!), quando as principais bandas do estilo nem sonhavam em existir, o trio sueco (que, com o tempo, se tornou praticamente um projeto solo de seu líder Quorthon) entregou no decorrer dos anos algumas das obras mais ferozes, insanas e influentes de todos os tempos, como Under The Sign Of The Black Mark (1987). Em 1990, mais uma revolução: considerado o primeiro disco de Viking Metal da história, “Hammerheart” completa hoje 30 anos!

Desde Blood Fire Death (1988) Quorthon já mostrava alguns dos elementos que formariam o chamado Viking Metal, mas aqui temos o arquétipo do estilo. Repleto de influências da mitologia nórdica, da Era Viking e abandonando os temas satanistas de outrora para exaltar os seus “ancestrais” pagãos, Hammerheart é um disco conceitual, narrando a invasão cristã na Escandinávia nos tempos medievais.

Musicalmente, o disco não poderia ser mais grandioso, com canções triunfantes, como hinos de batalha. Já soam as trombetas no épico introdutório “Shores In Flames”, que mostra uma mudança total de sonoridade, priorizando a cadência e o peso dos cortantes Riffs ao invés da velocidade, e com partes acústicas onde predomina a voz limpa de Quorthon que, verdade seja dita, ainda precisava de um pouco de treino (o que fica mais evidente na quase Folk “Song To Hall Up High”), mas nada que chegue a incomodar.

A dobradinha “Valhalla” e “Baptise In Fire And Ice” segue a mesma linha, indo dos coros épicos e tambores retumbantes aos riffs abissais, venenosos, ainda mais sujos devido à produção propositalmente lo-fi, vide a sessão final de “Home Of Once Brave” (que, inclusive, me lembra muito a de “For Whom The Bell Tolls”, do Metallica). Mas o melhor fica para o final, com a magnífica “One Road to Asa Bay”, que pode facilmente ser considerada a melhor música do Bathory. Desde sua introdução atmosférica, é como um chamado à batalha, numa conclusão perfeita para um trabalho tão ambicioso.

Com “Hammerheart”, o Bathory mais uma vez inaugura um gênero, com a maestria de sempre. Realizando seu trabalho mais espetacular e grandioso, Quorthon se prova, novamente, um dos pais do Metal Extremo, cuja obra foi e DEVE ser revisitada até os dias de hoje!

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Autor: Caio Braguin

16 anos, baterista, aficionado por música (e todas as formas de arte) desde o berço. Música é minha vida!

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