Nasce Uma Instituição do Metal – 40 Anos de “Iron Maiden”!

Se tem um lugar e época que um entusiasta do Metal como eu queria ter vivido é a Londres de 1980. Enquanto os já veteranos lançavam trabalhos definitivos, como o Judas Priest com seu British Steel (que será celebrado por aqui ainda HOJE!), observava-se a explosão da chamada New Wave Of British Heavy Metal, de bandas como Saxon (cujo Wheels Of Steel já foi devidamente homenageado), Def Leppard, Diamond Head e, é claro, o IRON MAIDEN!

A banda, criada em 1975, já era veterana na cena. Após inúmeras mudanças de formação, estabeleceu-se o quinteto que gravaria seu autointitulado álbum de estreia: O patrão e fundador do grupo Steve Harris no baixo, Paul Di’Anno nos vocais, a dupla guitarrística de Dave Murray e Dennis Straton e, nas baquetas, o grande Clive Burr. Em apenas 13 dias, estava pronto o que se tornaria uma pedra fundamental do Heavy Metal, e que hoje completa 40 anos!

Agora, imagine-se em 1980. O cheiro de vinil novo se espalha no ar, enquanto contempla uma criatura esquisita, na calada da noite, que não aparenta boas intenções. Ao colocar pra rodar, a porradaria de “Prowler” lhe arrebata como quem diz “Isso não é um disco comum!”. Uma música acelerada, com guitarras dueladas à la Thin Lizzy, passagens instrumentais espetaculares e os vocais ríspidos de Paul Di’Anno. É um choque entre a veia Punk de Di’ Anno e as aspirações progressivas de Harris, e o som que define essa primeira fase da banda. Ouvindo o refrão do clássico “Running Free” ou a rapidez desenfreada de “Charlotte The Harlot” não fica difícil de sacar essas influências.

Temos também baladas sensacionais, como “Remember Tomorrow”, na fórmula Judas Priestiana “do começo lento à porradaria” e “Strange World”, nas quais Di’ Anno demonstra uma faceta bem mais delicada e melodiosa de sua voz.

Mas, se você quer ouvir algo que se aproxime do som que consagraria o Maiden como os Deuses do Metal que são, temos aqui a MARAVILHOSA “Phantom Of The Opera”, um épico baseado no romance de mesmo nome, escrito por Gaston Leroux (iniciando uma longa tradição de canções baseadas em livros). Musicalmente, ela tem tudo: o baixo galopante de Harris, a batera não menos pulsante de Clive Burr e os tão icônicos solos duelados. Segundo Bruce Dickinson (que na época ainda era Bruce Bruce, vocalista do Samson): “Essa música é tudo sobre o Iron Maiden”! Tão sensacional quanto é a instrumental “Transylvania”, que demonstra a extrema competência musical da banda.

Pra fechar o disco, nada mais apropriado que a faixa-título, que, embora não seja grande fã, é inegavelmente um CLÁSSICO. E clássico é a palavra mais apropriada para nomear essa obra-prima. Um Maiden jovem, cru, e espetacular, que dava passos largos em direção ao panteão absoluto do Heavy Metal. “Iron Maiden’s gonna get you, no matter how far”!

Autor: Caio Braguin

16 anos, baterista, aficionado por música (e todas as formas de arte) desde o berço. Música é minha vida!

Deixe um comentário