Hey, Whitehouse! Ha Ha, que piada é você. A Revolução que ainda não terminou.

Não é novidade para ninguém que o Pink Floyd sempre foi adepto da filosofia e da literatura. Capitaneado por Roger Waters, a mente criativa da banda, o quarteto britânico já abordou diversos temas em suas letras. Em 1977, o ESPLENDOROSO disco ANIMALS e sua famosa capa com a foto da Battersea Power Station  com um porco sobrevoando a fábrica, aborda o livro ”A Revolução dos Bichos” do escritor inglês George Orwell.

  O livro retrata de forma conotativa uma revolução orquestrada pelos animais de uma fazenda. Muitos dos personagens inseridos na história pode-se traçar um paralelo com a Revolução Russa de 1917; Desde o Czar Nicholau II, passando por Lênin e culminando na disputa pelo poder entre Trotski e Stalin após a morte de Lênin.

RB2

A revolução é arquitetada por um velho porco chamado Major. A intenção de Major era que os animais tivessem autonomia sobre suas ações e não fossem mais governados e explorados pelos humanos. Após a morte do Major, os porcos Napoleão e Bola-de-Neve assumem as rédeas da revolução e expulsam os proprietários da fazenda. Por um tempo, os desdobramentos da revolução são de prosperidade e calmaria, contudo, Napoleão, junto com seu parceiro Garganta, consegue destronar Bola-de-Neve após acusações de que sua regência não era condizente com o esperado pelos outros animais e contou com a ajuda de nove cachorros para expulsar o antigo chefe da fazenda.

RB3

Sob o comando de Napoleão, começa um rigoroso regime de produção e exploração dos demais animais habitantes da fazenda, fazendo com que trabalhem muito para ter suprimentos básicos como ração para se alimentarem. Ao mesmo tempo, outrossim, Napoleão começa a andar em duas patas, fazendo com que os outros bichos não mais distinguissem os porcos dos humanos.

Ao escutar o disco e ler as letras podemos fazer comparações com o contexto conturbado da época tão criticado por Waters. Em ”Dogs” o animal é usado para descrever a burguesia, e que o mundo dos negócios é uma terra de ninguém, no qual os burgueses não medem esforços para garantir o seu bem estar em detrimento de outrem.

Em “Pigs (Three Different Ones)” há a ideia de que os porcos, em 3 estágios diferentes, dominam os outros animais. O primeiro porco retrata o homem capitalista, o segundo representa Margareth Thatcher, líder do Partido Conservador do Reino Unido e alvo de muitas críticas de Waters. O terceiro porco é Mary Whitehouse, uma ativista britânica conservadora e extremamente cristã que defendia a forte censura de qualquer material que poderia ferir os bons costumes.

Por último, temos as ovelhas. É comum vermos metáforas ligadas às ovelhas como símbolo de obediência e submissão a algo ou alguém. E é exatamente neste sentido que Waters emprega na letra, a grande massa da população usada como manobra pelos poderosos para satisfazerem seus interesses, alienados a tudo o que os cercavam. Uma parte interessante gira em torno do salmo 23 da Bíblia; o trecho é uma clara crítica à Igreja pela forma cujo a qual  usa a religiosidade para criar submissão.

O álbum é fantástico, o livro é fantástico. Recheado de questões políticas, históricas e sociais aliadas a um instrumental de primeira linha, principalmente as guitarras entorpecentes de David Gilmour. Uma ótima pedida tanto de música quanto de leitura!

A text by @lukaspiloto7twister

Anúncios

Autor: Luc Rhoads

Um grande apaixonado por música e aventuras. Carioca, estudante de Educação Física, professor de inglês e vascaíno doente.

Deixe um comentário