Ídolos mortos valem mais?

Hoje, eu gostaria de trazer uma reflexão para nós, relacionada á forma como lidamos com os artistas, atribuindo-os um valor baseado na duração de suas carreiras, por exemplo: Superestimar um artista por ter uma carreira super curta ou ter morrido prematuramente, e também do outro lado da moeda, diminuir o valor de um artista pelo fato dele não manter uma sequência de trabalhos geniais/históricos e ter uma carreira muito longa, com 40 ou 50 anos de duração. Acredito que o ponto principal é: Afinal, ídolos mortos valem mais?

É bastante curioso esses cenários que muitas pessoas costumam construir. Vou trazer alguns pontos para que possamos pensar e elaborar uma reflexão sobre alguns julgamentos que alguns artistas recebem.

  •  Será que se Kurt Cobain não tivesse morrido em 1994 e estivesse ai na ativa até os dias de hoje, Nirvana teria esse tamanho e status que tem hoje? Se a morte de seu líder não tivesse abreviado as coisas, talvez uma outra banda do movimento como o Pearl Jam seria a banda mais icônica de sua geração, vai saber.

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  • O mesmo com Jim Morrison, e se o The Doors seguisse sua carreira sem nenhuma perda na banda, será que eles ainda manteriam a sequência maravilhosa de discos e seria considerada uma banda acima de muitas por ter uma discografia praticamente perfeita? 

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  • O maior nome quando pensamos em guitarra, Jimi Hendrix. É claro que toda sua revolução não seria diminuída por estar aqui até os dias de hoje. Mas será que uma carreira de 50 anos, com inevitáveis trabalhos ruins, parcerias de fracasso e ‘’mais do mesmo’’, não o faria receber um julgamento como um artista questionável e não intocável como é nos dias de hoje?

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  • Agora pensando um pouquinho do outro lado da moeda. E se os Rolling Stones tivessem acabado logo após o lançamento de ”Exile On Main Street” em 1972, considerado por muitos como o melhor disco da banda. Será que eles não seriam imediatamente colocados como a maior banda do mundo ao lado dos Beatles, e não uma banda que recebe algumas críticas por estarem em atividade até hoje, se repetindo e com a ausência de trabalhos geniais como os primeiros? 

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  • Eric Clapton, indiscutivelmente um dos maiores guitarristas de todos os tempos. Será que se ele tivesse sucesso na sua tentativa de suicídio como pensou e tentou após o lançamento de Layla em 1970, resumindo sua carreira em pouco mais de 5 anos, com discos históricos, ele automaticamente não seria colocado ao lado do Jimi ou quem sabe, maior? Um universo de possibilidades e alternativas.

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  • E para fechar esses exemplos, Axl Rose. Imagine só se ele tivesse morrido em 1993 durante o auge do Guns N’ Roses ao vivo, com uma discografia praticamente perfeita, no seu auge vocal e performático, jovem e com muita energia, com a banda varrendo todo o cenário do Rock. Se isso tivesse ocorrido será que Axl seria colocado no patamar dos grandes ícones da história do rock ou maiores vocalistas do gênero? Nos dias de hoje muito bem sabemos que o Guns é detonado por uma parcela das pessoas que argumentam sobre a voz dele deixa a desejar em muitos momentos (oque já era esperado) e as atitudes dele nos bastidores arruinaram o prosseguimento da banda. E acho que podemos concordar que ele tem sua parcela de culpa nisso tudo, mas é interessante pensar nesse outro possível caminho da carreira.

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Gostaria de destacar, que esse texto não tem o objetivo de diminuir a importância ou questionar o valor artístico desses grandes nomes da história do Rock. Todos são personagens que eu amo e admiro. Mas achei interessante pensar um momento sobre como as coisas seriam e como as pessoas tem esse hábito de utilizar elementos de tempo e longevidade para valorar os artistas. E o oque eu falei aqui não é uma verdade absoluta, é apenas uma forma de imaginar caminhos que não aconteceram. Estou aberto á novas teorias ou pontos sobre a forma que esses artistas são reconhecidos.

Bom uma coisa é fato, uma carreira curta, com poucos discos lançados, uma morte trágica ou fatalidade, automaticamente coloca o artista numa posição praticamente intocável e muita das vezes, ter o privilégio de te-los por muitos e muitos anos, pode fazer com que ele se torne algo não tão especial e enigmático. Oque na minha opinião é um grande erro. Espero que possamos valorizar e desfrutar dos nossos artistas favoritos todos os dias, principalmente reconhece-los em vida!

Vida longa á música!

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Autor: Neto Rocha

22 anos, atleta de futebol e grande entusiasta de uma das coisas mais poderosas inventadas pelo homem, a música.

3 pensamentos

  1. Bela proposta de discussão. Concordo com os argumentos colocados em grande parte. As lendas do rock já se foram mesmo e são lendas muito em virtude disto. Axl seria lenda se tivesse morrido porque ele era um vocalista incrível no auge. Saindo do rock mas ainda falando de música, Amy Winehouse e Mamonas Assassinas seriam estas verdadeiras entidades que se tornaram? Para mim não. Amy viveria do passado e lampejos entre uma overdose e outra; na minha memória os Mamonas à época da morte da banda já estavam enchendo o saco. As palhaçadas já superavam o talento musical dos meninos. Mas isto é tergiversar sobre o que jamais aconteceu. Não há como saber, mesmo que a discussão seja bacana e renda algumas linhas. Parabéns pelo trabalho.

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