A (nada) Sutil Arte do Faith No More – 25 Anos de “King For A Day… Fool For A Lifetime”

Em 1995, o Faith No More, sob o comando de Mike Patton, era gigante. Afinal, desde a entrada do vocalista, com o espetacular “The Real Thing” (1989), eles se tornaram uma das maiores bandas da primeira metade da década de 90, com um som inimitável (muito devido à excentricidade de Patton). Com a saída do guitarrista Jim Martin, esse domínio criativo ficou ainda maior, quando lançam uma subestimada e diversa obra-prima, sob o nome de “King For A Day… Fool For A Lifetime”, e que é, pessoalmente, meu favorito. Hoje, esse disco maravilhoso completa 25 anos!

Para o lugar de Jim, Patton recrutou seu parceiro de Mr. Bungle, Trey Spruance, encontrando um parceiro para suas ideias malucas. Ele já mostra serviço na inaugural “Get Out”, com um som quase Hardcore, que chega a lembrar o Punk Californiano de NOFX e afins. Já “Ricochet” é densa, numa junção certeira de peso e melodia, numa das melhores músicas do Faith No More. “The Gentle Art Of Making Enemies”, “Cuckoo For Caca” e “Ugly In The Morning” apresentam o som mais direto e porrada que a banda já havia entregado até então, onde Patton chega a mandar uns guturais, com sua versatilidade vocal absurda.

Quando se expande o escopo musical, essa versatilidade soa ainda mais impressionante. Temos desde a pegada Soul deliciosa de “Evidence”, o Rock Funkeado e lotado de metais em “Star A.D.” (baixo federalíssimo de Billy Gould!), e uma das canções mais curiosas da banda, “Caralho Voador”. Sim, você leu certo. Num clima Bossanovístico, Patton murmura alguns versos desconexos em nosso amado português.

As baladas são um capítulo à parte, povoando a porção final do disco. O que dizer dos belíssimos toques Country de “Take This Bottle”, ou a MARAVILHOSA “Just a Man”, que é um dos momentos mais lindos e grandiosos de toda a carreira da banda, e não podia ser um encerramento melhor para essa montanha russa sonora.

“King For A Day… Fool For A Lifetime” mostra o Faith No More no auge dos seus poderes e é, ao meu ver, sua obra mais completa, esbanjando cada faceta da genialidade de Mike Patton, e influenciando, conscientemente ou não, toda a onda do New Metal que reinaria nos próximos anos. Mais de duas décadas depois, ao contrário de seu título, o disco se prova REI por uma vida!

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Autor: Caio Braguin

16 anos, baterista, aficionado por música (e todas as formas de arte) desde o berço. Música é minha vida!

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