O homem que sempre teve o blues na veia: 30 anos de Still Got The Blues.

Poucos guitarristas na história conseguiram unir técnica apuradíssima e um feelin’ que levasse o ouvinte aos prantos como Gary Moore. O talentoso norte-irlandês era capaz de te fazer bater cabeça em uma música e na seguinte levar-lhe às lágrimas de forma tão espontânea e natural.

Após uma década de 80 onde Moore usou e abusou do Hard Rock em discos como Victims Of The Future, Corridor Of Power, Run For Cover etc, estava na hora de retomar as raízes que o caracterizaram no início de sua carreira: O Blues. E, exatamente há 30 anos, o disco mais bem sucedido de sua carreira era lançado, o fantástico e maravilhoso Still Got The Blues

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Neste fabuloso álbum, Moore esteve muito bem acompanhado de figuras emblemáticas como: Albert King, George Harrison, Bob Daisley, Brian Downey, Albert Collins entre outros que colaboraram para transformar Still Got The Blues no único disco de Gary a ultrapassar a barreira do top 100 da Billboard e atingir status de disco de ouro e platina.

Não há uma música sequer neste álbum que possa ser considerada mais fraca, entretanto, algumas merecem destaque; ”Walking By Myself” é um belo número de blues americano dos anos 50, Roots Blues e é facilmente cantarolada pelo seu riff marcante. ”Pretty Woman” e a poderosa guitarra de Gary mostrando toda a sua potência. ”Texas Strut” que é bem possível ter tido influência de Stevie Ray Vaughan, música espetacular, com altas camadas de guitarra e o baixo pulsando ao fundo. A emocional ”As The Years Go Passing By” entra no hall das grandes músicas da carreira do norte-irlandês.

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Contudo, sem dúvida nenhuma, o ponto mais alto do disco e talvez uma das maiores pérolas do gênero é a própria faixa título. A típica canção que te transporta para outra dimensão e te faz nunca mais querer voltar. A melodia, o timbre inconfundível da guitarra de Moore, os solos, o feelin’ na total acepção da palavra, a voz chorosa e ao mesmo tempo rasgada de Gary conduzem cada nota ao interior da sua alma e aumentam a palpitação do coração de maneira sobrenatural. Garanto-lhes que se você escutar essa música e não chorar, ou você está ouvindo errado ou não há coração em seu peito. Uma pérola que merece ser lembrada e ouvida em alta intensidade.

A curiosidade que envolve esta música foi o fato de em 2008, uma corte alemã de Munique declarou o solo de “Still Got the Blues” um plágio de uma canção desconhecida (ao menos fora da Alemanha) publicada em 1974 chamada “Nordrach”, da banda alemã Jud’s Gallery. Gary negou conhecer a música, alegando que esta era indisponível em gravações na época em que ele gravou o álbum.

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Plágio ou não, não compromete a grande música e o grande disco que é Still Got The Blues, um trabalho irretocável que exibia Gary Moore em seu auge e fazendo o que mais sabe. Tenho certeza que, mesmo já tendo nos deixado há quase uma década, Moore ainda tem o blues seja onde ele estiver.

A text by @lukaspiloto7twister

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Autor: Luc Rhoads

Um grande apaixonado por música e aventuras. Carioca, estudante de Educação Física, professor de inglês e vascaíno doente.

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