55 anos de "Bringing It All Back Home" – O disco divisor de águas da carreira de Mr. Zimmerman

É com muita satisfação que hoje, o “Entre Acordes” me reserva mais um espaço para falar um pouco mais de minha jornada pessoal rumo ao incrível mundo discográfico de Bob Dylan, só que desta vez falando de uma obra considerada como um verdadeiro divisor de águas de sua carreira: O excelente “Bringing It All Back Home” (1965), que exatamente hoje, completa 55 anos de lançamento!

Me recordo muito bem da primeira vez que ouvi esse disco, bem no início de minha adolescência, quando ainda mal conhecia o homem além de “Blowin ‘in the Wind”. Achei genial a ideia de fazer um disco em que o lado A continha uma pegada mais Rock e elétrica, com uma banda de apoio lhe dando um bárbaro suporte, e o lado B ser exatamente aquilo que Dylan já era com maestria: um trovador do Folk, embelezando suas composições só com violão e sua tradicional gaita. O disco não apresenta nada de novo pra quem já é bem entendido da música do cara, é simplesmente aquele velho, tradicional e maravilhoso híbrido de Folk, Rock e Country que Dylan sempre fez como ninguém, mas se olharmos respectivamente, logo concluiremos que era algo muito novo para uma carreira que até então era só abastecida pelo Folk tradicional.

O LP já inicia presenteando nossos ouvidos com a encantadora “Subterranean Homesick Blues”, um chute na porta, mas também um convite para saborear a nova sonoridade do velho trovador, com um Folk Rock rápido, chacoalhador e intenso demais para os padrões do que Dylan vinha apresentando até então. A linda e magnífica “She Belongs To Me” desacelera o ritmo, e te faz viajar sem sair do lugar num leve e maravilhoso Country. Outros destaques vão para o lindo clima de viagem em estrada rural de “Maggie’s Farm”, a seminal e maravilhosa “Mr. Tambourine Man”, sendo quase uma oração de tão linda e “Bob Dylan’s 115th Dream”, o Folk Rock mais frenético do disco. Uma das coisas mais bacanas nessa música é logo no início, onde Bob “estraga” a cena caindo na gargalhada, obrigando a gravação a ser retomada do começo, quando o produtor grita “take 2”. Eu adoro que esse pequeno erro tenha sido deixado porque agrega caráter, personalidade, afinal, erros também podem fazer parte da pulsação do disco. O lado B termina com uma sequência de composições misteriosas e impressionantes como “Gates Of Eden, e “It’s All Over Now, Baby Blue”.

É fato que em “Bringing It All Back Home”, Bob se afastou um pouco das opiniões políticas e das canções de protesto, e se expressou de uma maneira diferente e mais complexa. Embora as músicas deste álbum ainda contivessem seu estilo abstrato habitual e familiar, elas não eram tão políticas quanto algumas de seus lançamentos anteriores. Mas outro fato estupendo a se levar em consideração, é que 1965 foi um dos anos mais impactantes e decisivos para a música, pois assim como The Beatles, The Beach Boys e The Kinks rumavam para um caminho mais maduro tanto sonoramente e liricamente, obviamente, o mestre Dylan não ficaria nem um pouco atrás. Depois de “Bringing It All Back Home” tudo mudou, e por isso que se trata de um disco importantíssimo na obra de Bob. Sua carreira sofreria uma reviravolta surpreendente, os fãs mais radicais da comunidade Folk passariam a odiá-lo profundamente, chegando a realizar protestos intensos durante seus shows. Mas o mais importante de tudo, é que mesmo 55 anos depois, “Bringing It All Back Home” ainda continua um álbum maravilhoso, forte, e muito significativo dentro do riquíssimo legado de Mr. Bob Dylan.

Autor: Felipe Silva

28 anos, paulista, corinthiano, e o mais importante, consumidor compulsivo de música! Rock, Soul, Funk, Blues, Jazz, MPB, que a música boa seja exaltada independente de gênero. God bless you all.

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