Um Mestre Das Baquetas Progressivas – 70 Anos de Carl Palmer

Dizer que o Rock Progressivo abriga alguns dos maiores músicos que já habitaram esse planeta seria eufemismo. Afinal, em um gênero dominado pelo virtuosismo, não se podia esperar menos. Há exatos 70 anos, nascia um baterista que, com um misto de explosão e a finesse jazzística, é pintor integrante no belíssimo quadro percussivo do Prog, e é, infelizmente, o único remanescente de um lendário trio: o sensacional Carl Palmer!

Natural das terras metálicas de Birmingham, seu primeiro trabalho de expressão foi uma curta passagem pelo carrossel psicodélico de “The Crazy World Of Arthur Brown”, em 1969. Dali, partiu junto com o tecladista Vincent Crane, para formar o Atomic Rooster. Muito influenciados pela aurora do Rock Progressivo Inglês (de nomes pioneiros como o King Crimson), a banda fazia um Hard-Prog de primeiríssima, exemplificado por seu excelente autointitulado disco de 1970.

Mas, ainda em 1970, Palmer receberia uma ligação do até então tecladista do The Nice, Keith Emerson, que mudaria para sempre os rumos da música progressiva. Era um convite para formar um supergrupo, que ainda contaria com o baixista e vocalista do King Crimson, Greg Lake. Assim nasceu o Emerson, Lake & Palmer, ou, como se deve nomear uma instituição, ELP.

Já mostrando suas garras no disco homônimo de 1970, o ELP traz ao mundo seu som altamente sinfônico, intenso, que tem como ingrediente primordial o extremo virtuosismo dos três. Assim, chacoalham o mundo do Prog com pérolas como a suíte espetacular de “Tarkus” (1971), “Trilogy” (1972) e “Brain Salad Surgery” (1973), tornando-se estrelas, lotando arenas de jovens sedentos pela complexidade explosiva que incendiava qualquer palco. Basta ouvir o registro ao vivo “Welcome Back, My Friends, to the Show That Never Ends – Ladies And Gentlemen” (1974) para sentir o poder desses deuses do Prog, e ser arrebatado pelos rulos definitivos de Palmer em seu auge!

Após anos de uma indulgência individual crescente, o trio teve seu fim em 1979. Entre seus projetos, estava mais um grande supergrupo. Dessa vez, com Steve Howe nas guitarras e John Wetton nos baixos e vocais. Assim, formam o Asia (que você deve conhecer pelo hit massivo de “Heat Of The Moment”). Mas, ao invés de grandes malabarismos progressivos, temos aqui um Pop oitentista de qualidade, especialmente em seus dois primeiros discos, “Asia” (1982) e “Alpha” (1983), que dispararam incrivelmente nas paradas americanas.

Desde os anos 90, entre idas e vindas, o ELP ficou na ativa. Lançando discos não lá muito bons, vide o fraquíssimo “In The Hot Seat” (1994), mas com apresentações sempre memoráveis. Até o grande baque que foi 2016, com as mortes de Keith Emerson e Greg Lake num curtíssimo intervalo de tempo, tornando Palmer o único membro remanescente do Emerson, Lake & Palmer.

Como uma forma de homenagem, Carl vem fazendo as turnês “ELP Legacy”, com o intuito de levar à frente o legado que tanto ajudou a construir nesses seus 70 anos de história e influência perpétua. Que rufem os tambores para um mestre das baquetas!

Alguns discos comentados:

Autor: Caio Braguin

16 anos, baterista, aficionado por música (e todas as formas de arte) desde o berço. Música é minha vida!

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