35 anos de “Behind The Sun” – Clapton se jogando de cabeça no Pop 80s

Há 35 anos atrás, um dos mais lendários guitarristas de todos os tempos dava uma guinada significativa em sua carreira. Cometeu um ato corajoso de se jogar de vez na sonoridade Pop sintetizada dos anos 80, fato este que, se afastou muitos fãs puristas do Blues Rock, também angariou um novo e imenso público para sua carreira, e o tal ato de que estou falando foi a gravação e lançamento do disco “Behind The Sun”, que está de aniversário exatamente na data de hoje!

Há de ressaltar que naquele exato momento, Clapton estava sofrendo uma significativa queda de popularidade e relevância em sua carreira. Seus últimos discos não haviam obtidos resultados satisfatórios, e a velha história de sempre se repete com qualquer artista da grande indústria: Pressão e mais pressão de gravadoras e empresários por bons desempenhos comerciais. Para realizar essa tarefa, Clapton se une com um dos maiores mestres do Pop da época, Mr. Phil Collins, que fica responsável pela produção e também pelas baquetas em algumas faixas, além disso, o álbum ainda conta com o auxílio de músicos de primeiro naipe como o guitarrista Steve Lukather, os bateristas Jeff Porcaro e Jamie Oldaker, o baixista Nathan East e o tecladista Greg Phillinganes.

O LP trazia em seu conteúdo pequenas pepitas Pops encantadoras com uma sonoridade calcada em timbres considerados “modernos” naquela época. Canções muito boas como “She’s Waiting”, “She What Love Can Do”, “Tangled In Love” e a maravilhosa e clássica “Forever Man” exalam o que há de melhor do Pop oitentista. Mas não pense que só por causa da aura predominantemente Pop do disco em que Clapton não está afiado em seu instrumento, ledo engano, pois o guitar hero está tocando como nunca, com timbres belíssimos, principalmente nos dois e únicos momentos estupendos dedicados ao Blues em “Same Old Blues” e “Just Like a Prisoner” onde Clapton despeja solos de arrepiar! Outro grande é a faixa título, cuja letra é de uma beleza, tristeza e realidade de doer, e foi inspirada na canção “Louisiana Blues” do lendário Bluesman Albert King.

Apesar de alguns fatores pesarem contra o disco, como a pavorosa capa, ou o fato de a parceria de Clapton com Phil Collins seja demonizada até hoje pelos fãs mais radicais, “Behind The Sun” é um disco encantador e importante por estabelecer bem o nome de Clapton nos anos oitenta, e embora esteja longe de ser uma obra monumental dentro de sua imensa e genial carreira, ainda assim, é um álbum que depois de 35 anos merece ser revisitado e celebrado.

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Autor: Felipe Silva

28 anos, paulista, corinthiano, e o mais importante, consumidor compulsivo de música! Rock, Soul, Funk, Blues, Jazz, MPB, que a música boa seja exaltada independente de gênero. God bless you all.

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