Ozzy Osbourne jamais morrerá como um homem ordinário

As vezes uma oportunidade bate na sua porta, você não a consegue, mas também não tinha idéia do quão especial ela foi. Em 2018, tive um dos meus grandes arrependimentos: perdi a oportunidade de ver uma das maiores lendas do Rock n’ Roll e talvez a maior do Heavy Metal ao vivo: Ozzy Osbourne. A turnê era a No More Tours 2, segunda turnê de despedida do Madman. Meses depois, começaram a chegar notícias de cancelamento de turnês devido a problemas de saúde que Ozzy tem enfrentado, que passam a ser preocupantes. Seu último show foi na virada de 2018 para 2019 numa Ozzfest no The Forum. Desde então, Ozzy teve que ficar em casa cuidando de sua saúde, até que fez uma participação com o rapper Post Malone, resultando na música “Take What You Want”.

Ozzy ficou muito feliz por voltar a fazer música, e não muito tempo depois chamou o produtor do rapper, Andrew Watt, para fazer um disco com ele. Dada a missão, Andrew assumiu a guitarra, e chamou Duff McKagan (Guns n’ Roses) no baixo e Chad Smith (Red Hot Chilli Peppers) na batera para o ajudar com as composições. Após alguns dias e uma boa quantidade de material composto, o Príncipe das Trevas começou a trabalhar no disco, e com os reforços de Slash e Elton John, estava pronto o disco que foi batizado “Ordinary Man”.

Assim que o primeiro riff começa Ozzy já vem com seu “Alright now!” e sabemos que estaremos em boas mãos nos próximos 49 minutos. Uma perspectiva nostálgica e retrospectiva tem forte presença no disco, e o sentimento de que isto possa ser a despedida em estúdio do Madman é muito grande. O disco lembra muito o Black Sabbath em vários momentos, inclusive.

Falar sobre cada música seria redundante, e todas elas são muito boas e merecem atenção, mas o grande destaque do disco é a faixa título Ordinary Man. Ninguém menos que Elton John assume os pianos, e ainda canta um verso. Nela, Ozzy e Elton cantam sobre sua fama, sobre sua vida, e sobre seu fim. Slash assume o posto das seis cordas para mais um solo para este testamento de dois dos maiores nomes da música vivos. É um momento lindo.

“I don’t wanna die an ordinary man”

Sem arrego pro seu emocional, Under The Graveyard conta sobre os dias obscuros após a saída de Ozzy do Sabbath. E como se não pudesse melhorar Ozzy vem com uma gaitinha (alô The Wizard) para abrir a música Eat Me. Straight to Hell e All My Life são também grandes destaques. O disco fecha com duas colaborações com Post Malone.

Não existem críticas a serem tecidas. Não se considera um disco de tamanho artista passando por tamanha situação e nos trazendo algo tão especial de maneira que não seja com gratidão, muita gratidão. Ozzy Osbourne não lançou um novo disco, ele nos deu um presente. Este não é um disco para se analisar, rankear, mas sim um para se celebrar. A audição é uma experiência emocionante, e espero que nossos queridos seguidores do Entre Acordes apreciem ela, também, com gratidão a esta lenda. Obrigado Ozzy, esperamos que você ainda tenha muito caminho pela frente, e tenha a absoluta certeza que você não morrerá como um homem ordinário.

Autor: allanfranzner

Guitarrista, amante e entusiasta da música, principalmente do rock n' roll!

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