O Anti-Herói da Guitarra – 70 Anos de Walter Becker

Hoje, o Entre Acordes celebra a vida e obra de um músico que, com sua sofisticação, ultrapassou as barreiras do Jazz e do Rock, criando um verdadeiro CULTO de seguidores. Vos falo do incrível Walter Carl Becker, que hoje completaria 70 anos!

Quando se fala em Walter Becker, é impossível não nos lembrarmos logo de Donald Fagen, numa das duplas mais icônicas da história da música. Eles se conheceram enquanto estudavam na faculdade de artes “Bard College”, em NY. Fagen ouviu a magia da guitarra de Becker, e sentiu algo especial. Desde então, formaram vários grupos (como o embrionário Leather Canary) e uma implacável dupla de composição, compondo trilhas para diversos filmes, segundo o próprio, “Apenas pelo dinheiro”.

Em 1971, eles mudam-se para uma efervescente Los Angeles, e as coisas começaram a acontecer, quando formam o Steely Dan. Desde a maravilhosa estreia “Can’t Buy A Thrill” com Becker no baixo, Fagen nos teclados/vocais, Denny Dias e Jeff Baxter nas guitarras, Jim Hodder na bateria e David Palmer em ocasionais vocais, era notável uma sofisticação Jazzística, ainda que numa roupagem Rock ‘N’ Roll. Desde então, o grupo foi numa crescente primorosa, com a nata dos músicos de estúdio de LA, distribuindo pérolas como “Pretzel Logic” de 1974 (o primeiro com Becker efetivamente na guitarra) ou a obra-prima absoluta “Aja”, de 1977.

Após o fim (temporário) do Steely Dan, em 1981, ele se muda para o Maui, autodenominando-se “Fazendeiro de abacate e crítico autodenominado da cena contemporânea”. Mas, o som não pode parar, e Becker se torna um renomado produtor, trabalhando com bandas New Wave como o China Crisis (da qual foi creditado como membro). Em 1993, foi produtor em e músico em “Kamakiriad” (1993), de seu irmão musical Donald Fagen, o que acabou gerando a volta do grupo, que fez sua primeira turnê em 20 (!) anos.

Desde então, ele alternou-se entre o Steely Dan, que lançou verdadeiras obras-primas como o multipremiado “Two Against Nature” (2000), e uma curta, mas deliciosa carreira solo, com os excelentes “11 Tracks Of Whack” (1994) e “Circus Money” (2008).

Mas, em 2017, a notícia de sua morte veio de maneira assustadoramente repentina. Aos 67 anos, foi levado desse plano. Mas, Fagen leva adiante o som atemporal que criaram juntos, e, aonde quer que ele esteja, com certeza sorri orgulhoso de seu legado!

Autor: Caio Braguin

16 anos, baterista, aficionado por música (e todas as formas de arte) desde o berço. Música é minha vida!

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