“Father Of All…” – O descompromissado disco novo do Green Day

O Green Day sempre foi uma banda muito presente de praticamente qualquer bom ouvinte de Rock (e que preferencialmente iniciado neste “ofício” na década de 90, como este que vos escreve), seja direta ou indiretamente, qualquer ser que pirasse em Rock nesta época não passava despercebido pela banda, graças ao sucesso descomunal alcançado por esta, principalmente depois da explosão do sensacional “Dookie” (1994).

Ao longo dos anos, foram construindo uma digna e vitoriosa carreira, fazendo moleques (e até marmanjos) delirarem com seu Punk Pop divertido, recheado de ótimas canções e grandes hits que estouraram mundialmente. O grande auge veio em 2004 com o excelente “American Idiot”, mais um momento em que poucos passaram despercebidos pela trio, graças a forte mensagem política que o disco trazia, e também por abraçarem o emocore tão em evidência naquele tempo, fundindo ao já característico som do grupo, que resultou mais uma vez em hits avassaladores.

Depois de uma sequência de lançamentos duvidosos, como o mediano “Revolution Radio” (2016), a banda entrega um novo trabalho de estúdio em 2020 intitulado de “Father Of All…”, que se não significa um retorno a grandes momentos de inspiração, ainda sim, pelo menos se mostra algo mais digno que seus discos anteriores.

Logo de cara, é bem perceptível que a banda quis dar uma certa renovada e up em seu som, trazendo uma boa influência de grandes bandas como The Queens Of The Stone Age, Eagles Of Death Metal e The Black Keys. Por outro lado, há também a velha e tradicional preocupação em soar comercial demais, o que acabou resultando em momentos bem dispensáveis presentes no álbum.

“Father Of All…” consegue sim entregar boas e empolgantes faixas como “Fire, Ready, Aim”, “Sugar Youth”, “Stab You In The Heart” e a faixa título. Outro bom destaque é “Oh Yeah!”, que soa como uma música de bandas como OneRepublic e Imagine Dragons, só que um pouco mais “barulhenta”, e surpreende positivamente pelo forte acento Pop mais comercial com grande potencial para hit. O restante do trabalho consiste em momentos bem esquecíveis e que pouquíssimo agregam ao disco como “I Was Teenager Teenager” e “Junkies on a High”.

Green Day poderia ter entregado aos seus fãs um disco um pouco mais divertido e cativante (dentro de apenas 26 minutinhos de duração), e embora consiga realizar isso em alguns momentos, acabaram preenchendo bons minutos com algumas faixas bem dispensáveis, que se não fazem de “Father Of All”… algo constrangedor, também não fazem deste algo memorável dentro da obra discográfica da banda.

Autor: Felipe Silva

28 anos, paulista, corinthiano, e o mais importante, consumidor compulsivo de música! Rock, Soul, Funk, Blues, Jazz, MPB, que a música boa seja exaltada independente de gênero. God bless you all.

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