A singela e dolorida sensibilidade acústica do Stone Temple Pilots em “Perdida”

Assim como outras bandas do movimento Grunge, o Stone Temple Pilots se viu assolado ao longo dos anos por perdas terríveis (a morte de dois vocalistas) e perturbadores problemas de relacionamentos contubardos que deixavam rastros de incerteza no ar.

Porém, de forma impressionante, tudo isso jamais se refletiu em desempenhos ou trabalhos ruins, (muito pelo contrário, diga-se de passagem) pois a banda sempre demonstrou um incrível poder de superação, e souberam muito bem ao logo da carreira, construir uma obra discográfica mais que digna.

Agora em 2020, eles retornam com um novo disco de estúdio batizado de “Perdida”, que comprova muito bem o que uma banda muito talentosa, musicalmente aflorada e entrosada pode realizar, mesmo que seja em uma circunstância em que decidem embarcar em um projeto bem distinto de tudo o que já fizeram.

“Perdida” é um trabalho extremamente suave e acústico, mas muito longe de ser monótono. Aqui, a banda apresenta uma coleção de 10 lindas canções, com arranjos incrivelmente belos e criativos com performances altamente emocionais. Apesar do clima sempre tranquilo, o disco é muito bem equilibrado e varia entre faixas que carregam muito de Folk, ora um pouco mais Country (como na linda faixa de abertura “Fare Thee Well”) além de ótimos toques de música Oriental e Celta (como no tom minimalista épico da maravilhosa faixa título). As músicas são “enfeitadas” com singelos solos de violões, guitarras slide, violinos, flautas e gaitas, tudo muito bem encaixado de forma precisa e não exagerada.

A própria banda descreveu o álbum como uma coleção de “10 músicas profundamente pessoais com letras introspectivas e instrumentos inesperados, que levam o ouvinte a uma jornada emocional sobre o recomeço”. O termo “Perdida” foi utilizado em referência à expressão em espanhol (de mesmo significado em português) dando a entender que a banda buscou trabalhar com o sentimento de luto. Embora o nome de Scott Weiland não seja citado no material de divulgação, é evidente que os músicos se referem ao lendário vocalista, infelizmente falecido em 2015.

“Perdida” é um lindíssimo trabalho de uma banda que sempre soube com muito louvor e qualidade exercizar seus demônios internos. Entrega aos seus fãs um disco tocante, que embora possa não agradar a todos estes, com certeza será lembrado com muito carinho por muitos destes futuramente. Audição recomendada!

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Autor: Felipe Silva

28 anos, paulista, corinthiano, e o mais importante, consumidor compulsivo de música! Rock, Soul, Funk, Blues, Jazz, MPB, que a música boa seja exaltada independente de gênero. God bless you all.

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