A Ascendente Perpétua do Sepultura em “Quadra”

Aceite isso ou não, a “Fase Derrick Green” veio pra ficar. Chega a ser redundante dizer isso após mais de 20 anos e 8 discos lançados, mas para alguns fãs isso ainda é um tabu inacreditável. Graças ao suor e sangue de Andreas, Paulo, Derrick e Eloy, o Sepultura se mantém como uma das maiores bandas de Metal do planeta, e que parece estar numa ascendente perpétua. Depois do magnífico “Machine Messiah” (2017), eles estão de volta com o recém-lançado “Quadra”.

O álbum captura a banda em seu auge técnico, atingindo um grau de sofisticação nunca antes visto. Muito disso por conta do virtuosismo de Eloy Casagrande, que impulsiona todos os membros ao LIMITE, e que trouxe uma vitalidade imprevisível, com influências mais modernas, que moldam o “Novo Sepultura”. Essa inventividade gera um disco multifacetado, dividido em 4 blocos de 3 canções, cada um com suas particularidades e atmosferas.

A primeira seção é uma ode ao que consagrou o bom e velho Sepultura, o Thrash Metal, direto. E não há introdução melhor do que um PETARDO como “Isolation”, com um Riff matador (o que já é corriqueiro), e a tradicional bateria demolidora de Eloy, espancando seu Kit com uma precisão invejável. “Last Time” é outro grande destaque, alternando a porradaria com coros grandiosos.

“Capital Enslavement” abre um capítulo mais brasileiro, com sua percussão tribal e riffs sincopados, também presentes em “Ali”, e seu peso mais cadenciado e lotado de Groove, também parte integrante do som característico da banda. Já “Raging Void” apresenta um elemento pouco celebrado: a versatilidade vocal de Derrick, em um dos refrões mais poderosos do álbum.

É a partir de “Guardians Of The Earth” que o esplendor técnico se torna explícito, com composições elaboradas e lotadas de passagens acústicas, quase progressivas. A instrumental “The Pentagram” é um de seus momentos mais geniais, com um riff “torto” (e muito moderno), que soa como um convite à destruição sonora por parte de Eloy, além de solos flamejantes de Andreas.

No pequeno interlúdio acústico “Quadra” o disco ganha uma profundidade fascinante. “Agony Of Defeat” soa, ao mesmo tempo, pesada e meditativa, com belas melodias. O ciclo se fecha perfeitamente com “Fear; Pain; Chaos; Suffering”, onde o contraponto entre os guturais de Derrick e os vocais certeiros da convidada Emmily Barreto, do Far From Alaska, um fim intenso para um disco sensacional!

Ouvindo “Quadra”, é impossível não concluir que estamos diante de um dos grandes discos de 2020. Sua qualidade absurda só ressalta a grande fase da banda, que segue como uma das maiores do Metal Mundial. E convenhamos, ter um Sepultura como patrimônio nacional é pra poucos!

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Autor: Caio Braguin

16 anos, baterista, aficionado por música (e todas as formas de arte) desde o berço. Música é minha vida!

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