Das Jaquetas de Couro ao Colorido – 40 Anos de “End Of The Century”

O Punk dos Ramones sempre teve um fundo Pop. É inevitável olhar para canções como “I Wanna Be Your Boyfriend” e não ver um fundo Beatlemaníaco e inocente. Em 1980, eles resolveram expandir sua base de fãs, fazendo um disco propositalmente comercial. Para isso, convocam o lendário produtor Phil Spector, e lançam “End Of The Century”, que hoje completa exatos 40 anos.

Ostentando o nome de Spector, já pode-se imaginar a sonoridade do álbum: aquela inconfundível e grandiosa “Wall Of Sound”. Mas, esse modo de produção ia totalmente contra o padrão dos Ramones, o que, conhecendo as figuras envolvidas, gerou alguns conflitos digamos, intensos, contando até com supostas ameaças à mão armada, e um ritmo de trabalho incessante, que para os adeptos do “One, two, three, four” foi um porre absoluto.

Sim, tinha tudo para dar errado, mas o resultado é mais sólido que o esperado. O bom início de “Do You Remember Rock ‘n’ Roll Radio?” anuncia aquela tecladeira que tira muito da visceralidade dos Ramones, mas que, aos menos tradicionalistas, não desagrada. Já a energia Punk de “I’m Affected” (embora as guitarras de Johnny estejam no subsolo) e “Chinese Rock” é exceção, exalando uma crueza maior num trabalho tão superproduzido. Alguns dos primórdios do puro e simples Pop Punk estão aqui, como na harmoniosa “Rock ‘n’ Roll High School”. Mas, curiosamente, o grande destaque é o cover de um clássico das Ronettes (Spector foi produtor original do grupo), “Baby, I Love You”, que adocica nossos ouvidos com suas luxuosas orquestrações.

Mas é claro que a produção grandiosa e um pouco datada não cria uma mistura tão harmoniosa com uma banda como os Ramones. Momentos como “The Return Of Jackie And Judy” perdem muito da força pela polidez sonora, além da simples falta de inspiração, evidente em canções como a tentativa de balada “Danny Says”. Em um balanço geral, é um bom disco, que mesmo em uma parceria sem muita liga, nos entrega algumas ótimas canções, mesmo que sem a visceralidade de outrora. E, além de tudo, a tentativa deu certo, sendo seu álbum mais bem-colocado nas paradas americanas, provando-se não um fim, mas um início de século interessante para os Punks Nova-iorquinos!

Autor: Caio Braguin

16 anos, baterista, aficionado por música (e todas as formas de arte) desde o berço. Música é minha vida!

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