Os Passos Agigantados Que Mudaram O Jazz

De tempos em tempos, as grandes revoluções musicais acontecem. No Jazz, um terreno tão propício para a explosão criativa, não poderia ser diferente. E dois desses divisores de águas aconteceram em anos consecutivos, e um nome estava envolvido em ambos: John Coltrane.

Em maio de 1959, duas semanas após concluir as gravações do que é considerado o maior disco de Jazz da história, o lendário “Kind Of Blue” de Miles Davis, ele inicia os trabalhos no que seria seu primeiro álbum pela Atlantic Records. Obcecado por novas possibilidades harmônicas e com a missão de levar o Jazz ao limite, ele traz ao mundo, em 1960, seu devidamente entitulado “Giant Steps”, que hoje completa 60 anos.

A faixa título é como um soco no estômago, já nos arrebatando com seu andamento acelerado, solos alucinantes do divino tenor, e uma estrutura harmônica revolucionária: as Coltrane Changes. Consistindo, basicamente, do uso de diversos “centros tonais” em uma só composição. O resultado? Um Standard absoluto e revolucionário do Jazz, que redefiniu os padrões da improvisação no estilo, sendo até hoje um rito de passagem para qualquer aspirante a Jazzista.

“Cousin Mary” é um Swing mais calmo, um tema sincopado que evolui até mais uma improvisação destruidora de Coltrane, juntando a explosão àquela ímpar qualidade de escolher sempre a nota correta, que toca nossa alma. O mesmo ocorre em “Spiral”, que mostra toda a força do quarteto, da sólida base da cozinha de Art Taylor/Paul Chambers, ao curto, mas sensacional, solo de piano, cortesia de Tommy Flanagan.

“Countdown” e a derradeira “Mr P.C.” são momentos explosivos. Temas com um andamento muito acelerado, e uma performance insana de Coltrane, com solos alucinantes, que parecem passear livremente por caminhos musicais tortuosos.

John traz consigo uma cota de homenagens. A primeira delas à sua filha, no swing cativante de “Syeeda’s Song Flute”. A segunda delas é, talvez, seu momento mais sublime, “Naima”. Composto para sua esposa à época, e gravado com a formação reminiscente do já citado “Kind Of Blue”, é a peça mais delicada do disco. Composta, basicamente, da repetição de um belíssimo tema (com um breve solo do pianista Wynton Kelly), ela atinge o pico da emoção, e todo o lirismo que esbanja o Sax Tenor de Coltrane, se tornando mais um grande Standard do Jazz.

“Giant Steps” é, nada mais nada menos, do que um dos maiores discos da história. Uma revolução musical no Jazz, que, ao mesmo tempo, lançou Coltrane como o maior inovador do estilo, atingindo um reconhecimento que poucos recebem ainda em vida. Seis décadas depois, ainda são passos agigantados que mudaram TUDO!

Autor: Caio Braguin

16 anos, baterista, aficionado por música (e todas as formas de arte) desde o berço. Música é minha vida!

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