Mais um estado de graça para quem já teve vários.

Quem diria que um ”projeto” de Thin Lizzy acarretaria no surgimento de uma banda muito boa e interessante? Pois é, foi justamente o que aconteceu quando o lendário guitarrista Scott Gorham resolveu excursionar tocando as músicas de seu antigo conjunto. Para isso, ele chamou o vocalista Ricky Warwick (ex -membro da ótima banda de Hard Rock escocesa The Almighty) para capitanear esta empreitada. Seu nome: BLACK STAR RIDERS.

A banda já lançou 4 discos, tendo o último deles, Another State Of Grace, saído recentemente, em 2019. Iniciaram sua trajetória em 2013, e tem alguns entusiastas renomados como Joe Elliott (Def Leppard), que os exaltou e disse ser fã desde quando surgiram. A formação já sofreu algumas reformulações, tendo apenas Warwick e Gorham permanecido desde o início.

Neste álbum, podemos notar letras bem mais politizadas, diferente dos discos anteriores. O principal tema abordado é a guerra, seja a bélica ou a política e as suas catastróficas consequências para o bem estar da humanidade. A maioria escrita por Warwick, que tem um papel às vezes até maior do que o de Gorham nas composições.

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Musicalmente, o Black Star Riders segue sem grandes pretensões de se contrapor ao universo do Thin Lizzy, até mesmo pelos riffs característicos de Scott e a voz de Ricky que em muitas vezes lembra a de Phil Lynott. Canções como “Tonight the Moonlight Let Me Down” e “Ain’t the End of the World” são demonstrações claras de que há muito do legado de Lynott, mas a banda não se resume a apenas isso e consegue caminhar fora da zona de conforto tranquilamente – como fez em todos os discos até agora.

A excelente “Underneath the Afterglow” mostra que a banda não é apenas uma réplica de Thin Lizzy, o groove funkeado de “Soldier in the Ghetto”, a metaleira faixa-título e na aproximação com uma sonoridade meio Country em “What Will It Take” são pontos notáveis de personalidade própria, mesmo não sendo nada de inovador ou com um nível de virtuosismo alto.

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Particularmente, não me incomoda nem um pouco a sonoridade lembrar uma banda famosa, e eles fazem um Rock and Roll tão honesto e descompromissado que consegue cativar o ouvinte pela dignidade que apresentam em seu som. Além de que é muito bom ver um cara como Scott Gorham ainda afim e com disposição de encarar a estrada, os estúdios e não apenas curtir a aposentadoria sentado no sofá. Mesmo que não tenha mais nada pra provar, se tem algo de bom guardado é melhor expor do que deixar engavetado e esquecido. E numa época onde o Rock não é mais o centro das atenções, ter alguém consagrado ainda empunhando a bandeira do nosso tão amado gênero já é mais do que o suficiente.

A text by @lukaspiloto7twister

 

Autor: Luc Rhoads

Um grande apaixonado por música e aventuras. Carioca, estudante de Educação Física, professor de inglês e vascaíno doente.

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