Não via a hora de trafegar pela Infinita Highway novamente. Partiu!?

É muito gratificante quando um artista que gostamos muito lança um trabalho que nos faça parar para consumir tudo o ele contém. Ouve repetidas vezes, acompanha as letras para “pescar” as sacadas nelas contidas, divulga para os amigos etc.

Foi exatamente essa sensação e essa avidez que senti quando escutei o disco NÃO VEJO A HORA, do mestre Humberto Gessinger, ex-líder dos Engenheiros do Hawaii. O disco, lançado no final de outubro de 2019, mostrou que Gessinger ainda tem muita lenha pra queimar, fazendo uma mistura da música regional com o Rock, além de suas letras sempre instigantes e enigmáticas.

Recomeço, empolgação, vontade de seguir em frente sem olhar pra trás, são alguns dos temas abordados no disco, o que nos induz a acreditar que Gessinger quer fazer com que reflitamos sobre assuntos cotidianos que às vezes não damos a importância necessária. O disco consiste em duas partes: A parte elétrica (8 músicas) e a parte acústica (3 músicas).

 

HG2O álbum abre com “Partiu”, música que trata exatamente sobre o desejo de prosseguir e não ter medo de arriscar. Música simples mas com um significado enorme. “Um de Cada Vez” dá sequência ao disco e mantém a fórmula da primeira. Lembra um pouco os Engenheiros dos anos 2000, poderia estar tranquilamente num “Surfando Karmas & DNA” da vida.

“Bem a Fim” é uma bela canção de voz, violão e acordeon. Uma letra de amor nos moldes ‘Gessingerianos’. Um destaque para o refrão, no qual há uma citação ao ACDC na parte: “A Highway To Hell faz a curva e vai pro céu”.

As duas a seguir “Algum Algoritmo” e “Calmo em Estocolmo” também poderiam estar em algum disco da antiga banda de Humberto, um Rock and Roll animado – uma tônica do disco. “Olhou pro Lado, Viu” é a minha música preferida do álbum, uma semi balada com momentos pesados. Tudo o que um fã de HG gosta.

Porém, sem dúvidas, o momento do disco que mais me chamou atenção foi a sequência “Fetiche Estranho”, “Maioral” e Estranho Fetiche”. Pra quem não está habituado às loucuras de Humberto talvez não compreenda, entretanto quem já está mais do que acostumado ao jogo de palavras e metáforas do gaúcho esse momento do disco caiu como uma luva. Citações ao Pink Floyd (Dark Side Of The Moon e Wish You Were Here) Belchior, Elis Regina, Elvis Presley, Raúl Seixas e até os Beatles entraram nessa salada lírica de Gessinger. Vale destacar também o baixo fenomenal e uma levada atípica que pode-se notar na faixa “Maioral”.

HG3

No encerramento temos a milongueira “Outro Nada” e uma regravação de “Missão”, música de Duca Leindecker com quem Humberto tocou no duo Pouca Vogal. Um álbum digno de um artista que não faz nada com desleixo. Seguimos a Infinita Highway recrutando exércitos de um homem só para irmos Até o Fim junto com um dos maiores compositores da nossa música.

A text by @lukaspiloto7twister

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Autor: Luc Rhoads

Um grande apaixonado por música e aventuras. Carioca, estudante de Educação Física, professor de inglês e vascaíno doente.

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