Delírio sonoro e sobrenome de peso.

Uma das grandes surpresas deste ano foi o descobrimento sobre a parceria entre a mente pensante do Primus, Les Claypool, e Sean Lennon, filho de John Lennon e Yoko Ono, que gerou o Claypool Lennon Delirium. O projeto de música experimental lançou o primeiro disco em 2016, que passou totalmente batido por mim, chamado Monolith Of Phobos. Há tempos eu não ouvia algo tão original quanto este projeto que felizmente está durando e não parou no primeiro disco. O lançamento “South of Reality”, o segundo disco da dupla , tendo como tema a ficção científica, chama bastante a atenção devido às lindas melodias, arranjos e linhas de baixo. Destaque também para a belíssima arte da capa, uma pintura cheia de tons, com cores vivas e bem delineadas.

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O disco abre com “Little Fishes” e apresenta uma espécie bardo contador de história com um tom experimental. A faixa vai crescendo e encorpando até ganhar um tom mais animado. A segunda, “Blood and Rockets: Movement I/Saga of Jack Parsons/Movement II/Too the Moon”, fala sobre o cientista Jack Parsons, um dos responsáveis por mandar o homem à lua, música altamente psicodélica e cheia de camadas.

Em seguida temos a faixa-título, talvez a música mais simples do disco, com um refrão pegajoso e com um teor psicodélico que o Sargento Pimenta aprovaria. Já a balada “Boriska”, nome de um menino que alega ter vindo de Marte, é o momento do disco onde podemos desconfiar que foi feito o uso de muito LSD – afinal de contas, é um Lennon que está ali rs. O tipo de música que te ganha de tão louca que é.

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Deixando o ácido um pouco de lado (ou não), temos “Easily Charmed by Fools”. Uma letra barra pesada que aborda os tempos atuais e como as pessoas estão sendo, cada vez mais, enganadas por “tolos cheios de charme”. São letras como essa que não nos deixa dúvida sobre o sobrenome que Sean ostenta.

A soturna “Amethyst Realm” mostra como a dupla é capaz de pesar a mão quando necessário. Com certeza a faixa mais pesada do disco; e minha preferida também. A seguinte, “Toady Man’s Hour”, é o melhor momento para você se preparar para o que vem a seguir, porque é de saltar da cadeira. “Cricket Chronicles Revisited: Pt. 1, Ask Your Doctor/Pt. 2, Psyde Effects” — altamente psicodélica e com um arranjo indiano, similar ao que Robert Plant tem feito em sua carreira solo de uns anos pra cá, uma melodia intensa que te dá a sensação de estar a bordo do Sputnik prestes a entrar em órbita.

“Like Fleas” finaliza esse esplendoroso trabalho abordando um tema sobre como a natureza está fazendo uma limpeza na Terra com seus furacões, terremotos e erupções vulcânicas. Uma viagem com passagem só de ida.

Se eu tivesse que escolher a minha maior descoberta dos últimos 3 anos, eu diria que foi esse disco. Foge completamente da casinha, diferente que rola por aí atualmente. São discos como esse que nos fazem amar a música e toda a expressividade que ela possui, causando um impacto instantâneo em nós quando acerta em cheio um direto no queixo. Por favor, OUÇAM ESSE DISCO COM TODA A ATENÇÃO E CARINHO DO MUNDO, você vai embarcar numa viagem querendo nunca mais voltar.

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A Text By @lukaspiloto7twister

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Autor: Luc Rhoads

Um grande apaixonado por música e aventuras. Carioca, estudante de Educação Física, professor de inglês e vascaíno doente.

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