O Fim de uma Era!

Há 45 anos, uma das maiores bandas de Rock Progressivo lançava o que seria o seu último disco que usa e abusa de tudo o que o Prog tem de melhor (ou pior, depende do ponto de vista). Passagens instrumentais longas e complexas, interlúdios imensos, climas densos e profundos, tudo aquilo que caracterizou o Yes no seu auge. O disco em questão é RELAYER, primeiro após a saída do tecladista Rick Wakeman, sendo substituído por Patrick Moraz, que, futuramente, integraria o The Moody Blues.

O disco recebeu críticas positivas e melhores que seu predecessor, Tales From The Topographic Ocean, que fora considerado um disco pretensioso e altamente cansativo. Em Relayer, um pouco da fórmula se repete, porém sem grandes exageros que eram um prato cheio para as críticas negativas à banda. O álbum tem o mesmo formato musical de Close to the Edge, de 1972: Um longo e imponente épico no primeiro lado, abrindo o LP, e duas longas músicas no segundo lado, porém mais curtas que a primeira, ambas com 9 minutos. O nome do álbum vem da letra da música “The Remembering (High The Memory)”, do álbum anterior. A capa foi desenhada por Roger Dean, artista responsável pela maioria das capas de álbuns da banda.

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Abrindo o disco, temos a fantástica “Gates of Delirium”, uma peça impactante de 22 minutos inspirada pelo livro Guerra e Paz, de Leo Tolstoy. A letra se refere justamente à guerra, dizendo como ela é desnecessária e contando suas futilidades. É uma das músicas mais agressivas feitas pela banda, musical e liricamente falando. No entanto, aos 16 minutos ocorre um contraste, uma vez que a música torna-se bem mais suave e calma, como se outra começasse a partir daquele ponto. Daí até o final, esta melodia delicada continua até o encerramento da música.

Esta parte que difere do resto da música foi intitulada “Soon” e lançada como um single em 1975. O segundo lado começa com “Sound Chaser”, uma música mais experimental e com grande influência do jazz, contendo elementos típicos do chamado Jazz rock graças à influência de Moraz. Contém alguns improvisos de todos os membros da banda – coisa não muito difícil de se encontrar nas músicas do Yes – todos tocam um solo, tornando a música de difícil execução ao vivo. Destacam-se a bateria rítmica, técnica e virtuosa de White, o sintetizador bem elaborado de Moraz, a guitarra ácida de Howe e o baixo rápido e ao mesmo tempo seguro de Squire. O álbum termina com “To Be Over”, a música mais calma e melódica do disco, que conta com suaves arranjos no teclado acompanhados pela guitarra marcante e inconfundível de Howe e uma cítara elétrica (também tocada por Steve Howe).

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Encerrava-se ali uma era da banda, já que não houve nenhum lançamento até 1977, devido a saída dos membros para seguirem carreiras solo. E quando de sua volta, o Yes já não era mais aquele que ficara famoso e conhecido pelas ”progressivações” absurdas e complexas, apesar de ainda manter competência em suas composições. Mas é inegável que a nata da banda está compreendida neste período de 1970 até 1974, e Relayer reflete muito isso, um álbum perfeito para os amantes do Prog Rock assim como este que vos escreve. O que uns chamam de exagero eu chamo de OBRA DE ARTE.

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A text by @lukaspiloto7twister

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Autor: Luc Rhoads

Um grande apaixonado por música e aventuras. Carioca, estudante de Educação Física, professor de inglês e vascaíno doente.

4 pensamentos

  1. Considero este um bom disco do Yes, mas não excelente quanto os anteriores lançados a partir do The Yes Album (1970). Nada contra o suíço Patrick Moraz ter ocupado o lugar de Rick Wakeman neste álbum, pois pra mim o Yes sem o “mago dos teclados” não é nada. Felizmente ele voltaria anos depois… Apesar dessa minha insatisfação com Relayer por causa do Moraz, dou um destaque para “The Gates of Delirium”, uma das músicas mais impressionantes que eu conheço (a parte final “Soon” é realmente de fazer chorar qualquer um).
    Outra coisa: meu disco preferido do Yes (para mim o melhor deles) é o contestado Tales from Topographic Oceans (disco duplo de 1973), que marcou o auge do grupo, para o bem e para o mal.

    1. Esse disco e o Going For The One eu ainda gosto muito. Mas, de fato a fase áurea do Yes termina no GRANDE Tales From Topographic Ocean, tão odiado por muitos, mas é um disco incrível. Não chega a se meu preferido, mas tenho muito apreço pelo disco, é o Yes no seu estágio máximo de progressivação, por isso que eu entendo que não gosta, não é para qualquer um.

      1. De fato, o Tales é o ápice do Yes. E é difícil entender porque muitos fãs não gostam deste álbum… E esse aí que você citou (Going for the One) é dos meus preferidos também.

      2. Só de ter Awaken – que é Chris Squire mostrando o porquê de ser um dos maiores da história – já vale o disco. Muito bem tocado. E o Tales é realmente uma obra prima mal compreendida, mas, assim como nas telas e pinturas a arte tem um quê de incompreensão mesmo. Nem todos conseguem absorver aquilo

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