Da Jamaica ao Sertão – 30 anos do Caleidoscópio de “Big Bang”

“A partir deste disco, chamar o Paralamas de ‘banda de rock’ passaria a ser mera convenção. Ou comodismo”. Assim foi definido por Arthur Dapieve “Big Bang” (em seu livro “BRock – O Rock Brasileiro dos Anos 80”), o 5° disco dos Paralamas do Sucesso. Um álbum de variedade rítmica e harmônica digna dos jovens mais ousados e antenados, apontando para a riqueza cultural do Sertão Brasileiro, está completando, neste ano, 3 décadas de puro legado.

Assim como o disco anterior “Bora-Bora” (1988), o trabalho é produzido por Carlos Savalla e o trio. O resultado? Um disco quente, vívido, o que já fica explícito no suíngue baiano de “Perplexo” (com algumas pitadas de Dancehall) ou no Riff digno de qualquer Hard Rock de “Dos Restos”, que intercala peso com o “Reggae Rock” repleto de metais escorrendo pelos falantes. Emendando-se na porrada (sonora e lírica) “Pólvora”, temos um dos momentos mais fortes do álbum, com uma performance, como sempre, explosiva de João Barone, e os habituais baixos FEDERAIS de Bi.

Aqui, nos sentimos numa exploração onírica da Música Nordestina. Temos toada na linda “Se Você Me Quer”, Repente na divertidíssima “Rabicho do Cachorro Rabugento” (cantada por Bi e e Barone) e até Axé em “Jubiabá” e na maravilhosa “Esqueça O Que Te Disseram Sobre O Amor”, de um teclado cosmopolita aliado ao Suíngue de Salvador criando um som único.

Há ainda pequenas incursões, como a Bossa “Nebulosa do Amor”, ou o groove latino de “Lá Em Algum Lugar”. Mas, há uma balada cuja beleza transcende qualquer barreira, o clássico “Lanterna Dos Afogados”. O piano sublime de João Fera, contornando uma melodia bela e até um pouco sombria, culminando em espetaculares fraseados de Sax, além de um dos solos de guitarra mais antológicos do Rock Brasileiro (quanto bom gosto de Herbert!), tornam esse disco mais um registro da fase áurea dos Paralamas (que ainda estava longe do fim).

Enquanto muitas bandas olhavam para fora, Os Paralamas do Sucesso olhavam para a cultura regional e a pluralidade de estilos da nossa música. De Kingston a Salvador, o fato é que esse “Big Bang” teve impacto perpétuo!

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Autor: Caio Braguin

16 anos, baterista, aficionado por música (e todas as formas de arte) desde o berço. Música é minha vida!

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