“Dusty In Memphis”: 50 anos de quando uma cantora branca lançou um dos discos mais belos do Soul

Há meio século passado, a maravilhosa cantora Dusty Springfield, presenteava o mundo com o disco mais belo de sua carreira: O sensacional “Dusty In Memphis” (1969).

Infelizmente naquela época, Dusty estava passando por um sério momento de declínio popular, pois seu último hit de impacto nos Estados Unidos e na Inglaterra havia sido de meados de 1966. Mas felizmente, o incrível Ahmet Ertegun, cérebro visionário da lendária “Atlantic Records”, depositava fé no potencial de Dusty, e fez questão de a colocar num estúdio em Memphis com a mesma banda fantástica que haviam sido responsáveis em levar grandes ícones do Soul como Aretha Franklin e Wilson Pickett aos topos das paradas.

A gravação do álbum passou por muitos momentos turbulentos e de excessos de fúria por parte da cantora. Chegando em Memphis, ela ficou extremamente incomodada com o repertório que haviam selecionado para ela, em sua maioria sendo baladas clássicas adultas, ao invés de algo mais Funk e ousado. Com brigas e mais brigas entre Dusty, empresários, e executivos de gravadora, a cantora acabou abandonando o projeto no meio das sessões de gravação, tendo retornado para concluir o trabalho algum tempo depois em Nova York de forma mais tranquila.

Mesmo com todos esses problemas internos, o resultado da obra não poderia ser melhor, uma coleção de canções maravilhosas escritas por grandes compositores (em seus respectivos auges) como Carole King, Burt Bacharach, e Randy Newman. Entre grandes maravilhas aqui presentes, podemos destacar a linda elegância da faixa de abertura “Just A Little Lovin'”, com um arranjo orquestral divino, e uma interpretação vocal de Dusty que massageia os ouvidos de qualquer ser sensível com o Soul. “So Much Love” é um maravilhoso Soul com aquele balanço encantador que só se fazia com maestria naquela época, e “Son Of Preacher Man” é um irresistível Funky de groove animal e cadenciado (e também o principal single do disco). Ainda pescando outras pérolas temos a linda baladona “I Don’t Want To Hear It Anymore”, o ótimo groovy Rhythm And Blues de “Don’t Forget About Me”, e a mais que lindíssima “I Can’t Make It Alone”, que finaliza o LP com uma beleza indescritível.

Mesmo com o sucesso do single “Son Of A Preacher Man” (alcançou o top 10 das paradas) infelizmente o disco não obteve o mesmo desempenho, sendo considerado um fracasso pela gravadora. Bem, nada melhor do que o tempo para remediar isso, e felizmente hoje, “Dusty In Memphis” é muito bem aclamado e reconhecido como um dos mais belos discos de Soul Music já feitos, e como um maravilhoso e verdadeiro clássico como de fato é.

Autor: Felipe Silva

28 anos, paulista, corinthiano, e o mais importante, consumidor compulsivo de música! Rock, Soul, Funk, Blues, Jazz, MPB, que a música boa seja exaltada independente de gênero. God bless you all.

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