A Caixa de Pandora do PiL – 40 Anos de “Metal Box”

Atonalidade, experimentalismo, são características do som do Pil. Desde sua estreia “Public Image: First Issue”, o grupo vinha quebrando as barreiras evolutivas do Punk (nada mais justo que John Lydon, um dos pais do estilo, ser também um dos criadores do Pós-Punk). Mas, ainda era um som embrionário. Até que, juntando influências que vão do Krautrock do Can ao Dub de Lee “Scratch” Perry, eles lançam em 1979 o seu trabalho definitivo (e que influenciou toda uma geração), “Metal Box”.

O álbum, desde seu design, é desafiador. Lançado, literalmente, em uma embalagem metálica, com 12 discos de 45rpm (formato que foi posteriormente mutilado para o lançamento no mercado americano, com o nome “Second Edition”).

Ao primeiro estalo do baixo de Jah Wobble em “Albatross”, já se percebe uma mudança no som da banda. Um ritmo cativante, mas, ao mesmo tempo, pontuado pela guitarra atonal e metálica de Keith Levene, se estendendo por longos, mas pouco sentidos, 10 minutos. Essa tendência fica explícita em petardos Funky de “Swan Lake” ou “Graveyard”, soando como um híbrido entre o Groove do Chic e o experimentalismo de bandas como o Can (ou Bowie em sua trilogia de Berlim). Os ritmos hipnotizantes, junto à voz desesperadora de Lydon (cantando sobre temas tão fortes quanto), criam uma sonoridade angustiante.

O álbum é cheio de padrões rítmicos, que se repetem, mas de maneira tão instigante, que tornam-se longas e deliciosas jams “cósmicas” (com fortíssima influência do Dub). É o caso da pulsante “Memories”, ou a levada monolítica de “Poptones” e “Careering”.

A trilogia final de “Socialist/Chant/Radio 4” merece destaque, como uma viagem pelo universo de torpedos guitarrísticos metálicos, grooves incessantes e, por fim, a orgia dos (onipresentes) sintetizadores, encerrando de maneira premonitória o disco. Muitos desses elementos seriam muito comuns nos anos que estavam por vir.

“Metal Box” é um dos discos definitivos do Pós-Punk (e consequentemente a vindoura New Wave). Seu som subversivo e revolucionário ajudou a moldar toda uma década, espalhando os rastros dessa Caixa de Pandora musical!

Autor: Caio Braguin

16 anos, baterista, aficionado por música (e todas as formas de arte) desde o berço. Música é minha vida!

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