”You Gotta Get In To Get Out”! O último ato de Peter Gabriel no Genesis.

Há 45 anos, uma das grandes óperas-Rock da história era lançada, porém, infelizmente, acabou marcando o fim de uma era na banda. Estou falando do Genesis e do disco THE LAMB LIES DOWN ON BROADWAY, o último com a participação de Peter Gabriel.

Após o grande sucesso do esplendoroso Selling England By The Pound, em 1973, alguns conflitos internos começaram a surgir dentro da banda, principalmente pelo fato de Peter Gabriel ser o centro das atenções por parte da mídia e do grande público, já que suas performances teatrais e indumentárias saltavam aos olhos de todos, o que levou a uma repercussão maior desses aspectos do que as composições e o instrumental do grupo.

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O álbum conta a história surreal do jovem delinquente Rael morando em Nova Iorque, que é levado para uma outra dimensão com criaturas estranhas e outros perigos para resgatar seu irmão John. Várias ocorrências e lugares descritos derivam de sonhos de Peter Gabriel, e o nome do protagonista é um trocadilho com seu sobrenome.

A maioria das canções do álbum foram escritas por Tony Banks, Phil Collins, Steve Hackett e Mike Rutherford. Gabriel insistiu em escrever a história e todas as letras sozinho, o que causou tensão na banda, em particular pelo fato de Rutherford ter sugerido originalmente um álbum baseado em ”O Pequeno Príncipe”. A ausência completa de Gabriel na composição foi devido aos problemas de sua esposa com sua primeira gestação.

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O álbum, apesar de contar com músicas mais enxutas e menos líricas do que a banda vinha fazendo, foi um fracasso em vendas, muito por conta dessa alteração nas músicas, algo que soou estranho para os fãs, além de muitos considerarem o conceito do disco demasiadamente pretensioso. Entretanto, podemos destacar aqui alguma das melhores composições da banda, como é o caso de ”The Waiting Room”, “Fly On A Windshield”, “Here Comes The Supernatural Anaesthetist” e “Riding the Scree”. A faixa “Silent Sorrow Of Empty Boats” conta com a participação de Brian Eno nos efeitos sonoros.

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”Carpet Crawlers”, uma das músicas mais bonitas do grupo, única a tocar nas rádios e ser considerada um hit, ”In The Cage” e ”Broadway Melody Of 1974” podem ser consideradas como os pontos alto do disco, composições absolutamente brilhantes e bem trabalhadas.

Nos shows da turnê de divulgação do disco, Gabriel – que logo sairia da banda para se dedicar à família – encarnava Rael em suas mais diversas ocasiões, fazendo do show um verdadeiro espetáculo teatral, o que não era estranho se tratando de Peter Gabriel, uma vez que, em músicas passadas, ele também utilizava fantasias e adereços para encarnar personagens retratados nas canções. Entretanto, em The Lamb Lies Down On Broadway, isso se intensificou, o que pode explicar o desinteresse por parte do público devido aos excessos performáticos.

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No entanto, isso não abona de forma alguma o disco maravilhoso e magistralmente produzido dessa banda que pode ser considerada ao lado de Yes, King Crimson e Emerson, Lake and Palmer, como um dos pilares e melhores bandas de progressivo da história.

Apesar da saída de Gabriel e com o benefício da retrospectiva, podemos notar que, ao invés de perder, nós ganhamos um outro Genesis maravilhoso comandado por Phil Collins e uma carreira solo simplesmente fantástica de Gabriel. Ouça este disco com bastante atenção e com certeza será levado ao interior da história, sentindo-se como parte integrante da história e saboreando um belo instrumental.

A text by @lukaspiloto7twister

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Autor: Luc Rhoads

Um grande apaixonado por música e aventuras. Carioca, estudante de Educação Física, professor de inglês e vascaíno doente.

3 pensamentos

  1. O capítulo mais tempestuoso na história de carreira do Genesis que deu origem a seu melhor trabalho para a maioria dos fãs – não para mim, pois gosto muito mais de Nursery Cryme (1971), Foxtrot (1972) e, em especial, o maravilhoso disco anterior Selling England by the Pound (1973), que eu considero não só o melhor da banda mas, sem exagero de minha parte, o melhor LP de todos os tempos. Mas você sabe qual é o grande problema de The Lamb Lies Down on Broadway? Sua pretensão em demasia. As vezes penso como seria o último disco de Peter Gabriel no Genesis em formato simples ao invés de duplo… Seria algo realmente maravilhoso como os três trabalhos anteriores de estúdio com a clássica formação do grupo. Mas infelizmente o destino não quis assim… Soma-se a esses problemas o egocentrismo enorme de Gabriel para com os outros membros do grupo. Resultado: Gabriel caiu fora para sempre do Genesis após a turnê do TLLDOB, depois Collins tornou-se o novo vocalista da banda e nada mais no Genesis foi o mesmo. Mas isso é outro papo…

    1. Eu também prefiro os três anteriores, sem dúvida nenhuma. Aquela trilogia de discos é espetacular. Mas eu gosto muito do The Lamb, é um disco menos lembrado justamente por ser extenso, saída do Gabriel, então passa batido. Mas eu considero um disco excelente, mesmo sem estar no nível dos anteriores

      1. Valeu pela resposta, amigo… Realmente a trinca “Nursery + Foxtrot + Selling” é maravilhosa, e o The Lamb também é excelente, gosto de algumas músicas, mas não considero-o como a grande obra-prima do Genesis de acordo com a opinião da maioria dos fãs deles hoje.

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