Escalando a montanha do Tigre.

Após sua saída do Roxy Music, banda na qual tocara em seus dois primeiros álbuns, Brian Eno decidiu partir para sua carreira solo, buscando mais liberdade artística para poder usar e abusar dos experimentalismos do qual sempre fora apaixonado.

Com o sucesso de seu primeiro disco Here Come The Warm Jets, lançado em 1973, Eno parte para o seu segundo disco, cujo trabalho é o alvo deste texto. TAKING TIGER MOUNTAIN, de 1974, completa hoje 45 anos, e, apesar de não ser tão bem sucedido quanto o primeiro, foi motivo de muitos elogios por parte da crítica musical da época.

É um álbum conceitual com uma abordagem mais livre, uma vez que aborda temas de época que incluem espionagem na Guerra Fria e a revolução comunista chinesa. Phil Manzanera, guitarrista e seu amigo dos tempos de Roxy Music, toca guitarra em todo o disco e participa ativamente das composições. Além dele, outro músico de renome que participa do disco é Robert Wyatt, do Soft Machine, na bateria, com exceção da faixa ”Mother Whale Eyeless”, na qual Phil Collins é o responsável pelas baquetas.

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Embora os temas abordados nas músicas sejam sombrios o som tem um tom otimista e animado, a começar pela primeira música ”Burning Airlines Give You So Much More”, baseada em um dos maiores desastres aéreos da história. Seguindo a linha ”sonoridade pop e letras nebulosas” temos “The Fat Lady of Limbourg”, sobre um asilo em Limbourg, Bélgica, onde seus habitantes superam a população da cidade e “The Great Pretender”, descrevendo o estupro de uma dona de casa suburbana por uma máquina enlouquecida.

”Back In Judy’s Jungle” é uma música divertida, com uma levada simples e dominada por sintetizadores.  Em ”China My China”, Eno volta a abordar o período ditatorial chinês, fazendo altas críticas a Mao Tse Tung e seu regime. ”Third Uncle”, minha música favorita do disco, é o típico pop dos anos 70, comandada pelo baixo federal de Brian Turrington.

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”Put A Straw Under Baby” e ”The True Wheel” fazem o contraste perfeito sobre o disco: Uma música absolutamente sombria e monótona seguida de outra altamente animada e pra cima, demonstrando toda a variedade do disco.

A faixa título encerra este belo trabalho de Eno que ainda teria mais dois discos em sequência que mostrariam o quanto ele tinha a contribuir para a música com sua mistura de Pop, Rock e experimentalismos. Não à toa, gênios como Robert Fripp e David Bowie requisitariam Brian para gravar, produzir ou até mesmo tocar em discos de ambos. Um artista na acepção da palavra, que merece ser ouvido por todos.

A text by @lukaspiloto7twister

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Autor: Luc Rhoads

Um grande apaixonado por música e aventuras. Carioca, estudante de Educação Física, professor de inglês e vascaíno doente.

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