A Rouquidão Furiosa de Sheffield – 50 Anos de “Joe Cocker!”

“With A Little Help From My Friends” havia sido um marco difícil de ser superado por Joe Cocker, mas o “Mad Dog” estava em grande fase. Impulsionado pela lendária performance em Woodstock (já devidamente esmiuçada em nosso especial de 50 anos do festival), ele volta ao estúdio para lançar seu segundo disco no ano de 1969, o sensacional “Joe Cocker!”

O álbum, assim como em “With A little Help From My Friends”, é recheado de canções de alguns compositores “desconhecidos”, como um tal de Bob Dylan, na abertura “Dear Landlord”. Aqui, é adicionado um swing Blues-Rock peculiar à já fantástica música, fazendo-nos sentir como se estivéssemos num legítimo Pub Inglês, ouvindo a voz áspera de Cocker.

Há espaço para baladas belíssimas, com “Bird On A Wire” (obra de Mr. Leonard Cohen), com um clima Gospel (acentuado pelo órgão ao fundo), além da interpretação, como sempre, “das tripas coração” de Cocker, assim como em “Hello, Little Friend”. Mas, os momentos mais delicados do disco são protagonizados por mais alguns compositores, os tais John, George, Paul e Ringo, nos belíssimos Covers de “Something” e “She Came In Through The Bathroom Window”, onde a rouquidão da voz desse grande intérprete traz camadas diferentes a esses clássicos. Destacam-se os arranjos frescos e vívidos do lendário Leon Russell, que, além de tocar seu belíssimo piano, direcionava essas jams cheias de Soul da competente “Grease Band”.

E, por falar em Soul, ele não é nem um pouco deixado de lado, com grandes versões de clássicos R&B como “Lawdy Miss Clawdy”, além de muito groove em faixas como “Darling Be Home Soon”, ou a deliciosa “Delta Lady”, que tornou-se um dos grandes clássicos de Cocker, uma canção ensolarada que é como um hibrido entre a sensibilidade Pop da Motown e a “malandragem” bluesística, incorporada de maneira sublime pelo “Mad Dog”, que aqui mostra que não estava pra brincadeira.

“Joe Cocker!” é mais um trabalho irretocável de Joe Cocker, fechando com chave de ouro o icônico ano de 1969. Aqui, ele expande ainda mais sua paleta sonora, reinterpretando clássicos absolutos da música pop de maneira sublime, com sua voz, como um trovão, que tanto nos encanta até hoje!

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Autor: Caio Braguin

16 anos, baterista, aficionado por música (e todas as formas de arte) desde o berço. Música é minha vida!

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