30 anos de “Journeyman”: O excelente híbrido de Blues/Rock e Pop de Eric Clapton

No dia 7 de novembro de 1989, o deus da guitarra, Eric Clapton, lançava ao mundo um dos melhores discos de sua vitoriosa carreira solo: “Journeyman”.

Depois de uma sequência de dois bons discos, “Behind The Sun”, e “August” (Lançados em 1985 e 1986, sendo ambos produzidos pelo mestre Phil Collins) totalmente mergulhados na sonoridade do Pop 80s, Clapton resolveu se aliar ao produtor Russ Titelman, no intuito de realizar um retorno às “origens” para um som mais orgânico e menos oitentista, mas ao mesmo tempo sem deixar de estar antenado com às tendências sonoras da época.

Sendo assim, “Journeyman” pode ser analisado como uma excelente e bem sucedida tentativa de agradar a dois universos distintos: O Blues/Rock de seus antigos admiradores (Que haviam firmemente torcido o nariz com os últimos lançamentos de Eric) e o Pop moderno da época. Então para isso, Clapton criou um híbrido muito mais que interessante, mesclando seu passado com o presente de forma mais que satisfatória. Desta forma, podemos destacar ótimas pérolas Pop como a abertura com “Pretending”, “Bad Love”, um hitzão Pop Rock excelente com guitarras inspiradissímas, e que ainda conta com o velho tio Phil nas baquetas numa performance sensacional (E ainda diz a lenda que “Bad Love” foi uma “exigência” da gravadora para Clapton compor uma nova “Layla”) e também as sacolejantes “No Álibis” e “Breaking Point”, além do maravilhoso clássico de Bo Diddley, “Before You Accuse Me” (Que encerra o álbum com um poderoso Blues no talo) e outras jóias ocultas, como o lindo presente dado por George Harrison, “Run So Far” (Que também toca guitarra, e faz backing vocal na faixa), e lindas e inspiradas baladas como “Running on Faith”, com um forte tom Gospel graças a um poderoso coral, e lindos solos de guitarra slide, além de “Lead on Me”, e a lindíssima “Old Love”, co-escrita em parceria com o excelente guitarrista e cantor de Blues, Robert Cray, onde os dois protagonizam um “duelo” de guitarras repleto de feeling. E ainda há espaço para as versões de “Hard Times” (De Ray Charles) e “Hound Dog” (Eternizada por Elvis Presley) que com certeza também soariam ótimas nos grandes discos que Clapton lançou nos anos 70.

“Journeyman” está longe de ser uma obra prima da carreira de Clapton, mas com certeza merece um lugar de destaque em sua extensa e às vezes irregular discografia solo. Um álbum que contém grandes momentos, porém que necessita de ser apreciado da forma adequada: Se ouvir tudo pensando somente em Blues, pode acabar detestando; com ouvidos Pop, a história é bem diferente e tudo soa muito bem. No fim das contas, “Journeyman” foi sem dúvida, o estopim para Clapton sair da década de 80 e adentrar nos anos 90 em alto nível.

Autor: Felipe Silva

28 anos, paulista, corinthiano, e o mais importante, consumidor compulsivo de música! Rock, Soul, Funk, Blues, Jazz, MPB, que a música boa seja exaltada independente de gênero. God bless you all.

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