O Mago das Teclas Progressivas – 75 Anos de Keith Emerson

O Rock Progressivo é um estilo caracterizado pelos grandes virtuoses, mestres em seus devidos instrumentos. E quando se pensa em seus grandes tecladistas, é inevitável que (ao lado do outro Deus Rick Wakeman) o nome de Keith Emerson nos venha à mente. O cara que levou o instrumento a outro patamar, e estreitou as barreiras entre o Rock e o Erudito, completaria hoje 75 anos.

Nascido na pequena vila de Todmorden, no norte da Inglaterra (após uma evacuação forçada do Sul devido à Segunda Guerra), Keith era filho de um pianista amador, que desde cedo incentivou-o a ter aulas do instrumento. Nesse tempo, adquiriu uma formação clássica, infuência que seria fortemente sentida em toda a sua carreira.

Mas, por ser um ouvinte assíduo da rádio, apaixonou-se também pelo Jazz e especialmente pelo Boogie-Woogie, entrando no mundo do Rock ‘N’ Roll. Nas palavras do próprio:

“Eu era uma criança muito séria. Costumava andar com as sonatas de Beethoven debaixo do braço. No entanto, eu era muito bom em evitar ser espancado pelos valentões. Isso porque eu também podia tocar músicas de Jerry Lee Lewis e Little Richard. Então, eles achavam que eu era legal e me deixavam em paz. “

Na segunda metade dos anos 60 teve muitos grupos, mas foi em 1967 que fundou, juntamente com Lee Jackson, o “The Nice”. Com um som peculiar, que fez muito sucesso com adaptações Pop de composições clássicas, lançando grandes discos como “Nice”, de 1969. Ao vivo a banda também se destacava, já contando com as performances incendiárias que se tornariam marca registrada de Emerson.

Mas, em 1970, Emerson abandona o The Nice e forma o icônico supergrupo Emerson, Lake & Palmer, com simplesmente o baixista/vocalista Greg Lake (ex King Crimson) e Carl Palmer (ex Atomic Rooster). A partir daí, viu-se uma das carreiras mais meteóricas da história do Prog. Seu Órgão Hammond e os sintetizadores Moog eram a força motora do grupo, que lançou clássicos absolutos como “Tarkus” (1971), “Trilogy” (1972) e “Brain Salad Surgery”(1973). Seus característicos flertes com o erudito jogaram os holofotes sobre Emerson, que, além de performances teatrais e espetaculares, compunha e adaptava peças clássicas com maestria.

Após a dissolução do grupo em 1979 (que ainda veria reuniões, inclusive com o nome “Emerson, Lake & Powell”), Emerson compôs diversas trilhas-sonoras e gravou alguns discos Solo, mas nada que chegasse perto do sucesso e prestígio do ELP.

Mas, em seus últimos anos de vida, foi atingido por muitos problemas de saúde, especialmente uma inflamação num nervo de sua mão direita, que atrapalhava sua performance. E ele, acostumado à excelência, passou a ficar paranoico, deprimido. Até que, no dia 11 de Março de 2016, acaba tirando sua própria vida, numa das mortes mais tristes dos últimos anos. Seu trabalho lendário o credencia como um dos maiores nomes do Prog, e nesse grande dia, nada melhor do que prestarmos nossa homenagem a esse Mago das teclas!

Alguns discos comentados:

Autor: Caio Braguin

16 anos, baterista, aficionado por música (e todas as formas de arte) desde o berço. Música é minha vida!

Deixe um comentário