A Implacável Usina de John Fogerty – 50 Anos de “Willy And The Poor Boys”

A inspiração parecia não ter fim para o Creedence Clearwater Revival em 1969. Já consolidada como uma das maiores bandas do mundo (ainda mais impulsionada pela participação no lendário Woodstock), tinha lançado dois (SENHORES) discos, “Bayou Country” e “Green River”, mas ainda havia Rock ‘N’ Roll de sobra para “Willy And The Poor Boys”, seguindo com a implacável usina de Hits liderada por John Fogerty.

Ao ouvirmos o primeiro riff do Rock divertidíssimo “Down On The Corner” nota-se que é o disco mais “sereno” do Creedence. Não que os anteriores fossem o contrário, mas havia uma certa “raiva”, um som mais denso, que aqui é tomado por canções como o Country Rock nostálgico na versão de um clássico do Blues, “Cotton Fields”, e sua deliciosa melodia.

O Blues tradicionalmente americano se faz presente em faixas como as instrumentais “Poorboy Shuffle” e “Side o’ the Road”, onde a banda demonstra completo entrosamento, liderados pela guitarra visceral de Fogerty. Mas, são o grooves certeiros que tomam conta, no Blues Rock de “Feelin’ Blue”, ou as camadas guitarrísticas da versão de “Midnight Special”, fazendo o som que se espera de uma banda pregada às raízes do Rock ‘N’ Roll.

Mas, num período político estadunidense como a era Nixon, não era de se esperar que um cara John Fogerty ficasse quieto. Concentrando toda a “raiva” ainda não vista no álbum no clássico absoluto “Fortunate Son”, uma porrada de 2 minutos, com uma cozinha pulsante e linha de guitarra icônica, que tornou-se um hino da Working Class, e com muita razão (em mais uma amostra de que Fogerty é um dos maiores “gogós” da história do Rock).

O fechamento com “Effigy” é mais um reflexo de sua época, mas dessa vez com um clima mais desolador, numa balada lindíssima, que cresce com um espetacular trabalho de guitarra de John Fogerty, como um lamento de visceralidade estrondosa.

“Willy And The Poor Boys” é um dos discos que podem facilmente ser considerados os melhores do Creedence. Encerrando uma implacável sequência de três discos, atinge que atinge seu apogeu no som mais “descompromissado” e leve, como um retorno à casa após o estrelato, que, bem, ainda estava longe do fim!

Autor: Caio Braguin

16 anos, baterista, aficionado por música (e todas as formas de arte) desde o berço. Música é minha vida!

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