A Rodovia Sonora dos Reis da Música Eletrônica – 45 Anos de “Autobahn”

Os três primeiros discos dos alemães do Kraftwerk já haviam sido revolucionários. O som eletrônico, fundado nas raízes experimentais do Krautrock, era algo muito novo (e ainda soa diferente de tudo, ainda hoje). Mas foi com “Autobahn” que tudo se encaixou, e o grupo se consolidou como uma das bandas mais influentes da história da música contemporânea. Esse divisor de águas na música eletrônica está completando hoje 45 anos.

O nome “Autobahn” refere-se ao sistema rodoviário alemão da época (explicitado em sua icônica capa). E é isso que ouvimos na longa faixa-título. A partir do ronco dos motores, é como se iniciássemos uma viagem por essa extensa Autobahn. Os rítmicos sintetizadores e baterias eletrônicas juntam-se à um icônico Riff (?), com os vocais minimalistas de “Wir fahren, fahren, fahren auf der Autobahn”. Mas, no decorrer dessa jornada, tons mais densos e graves são explorados, fazendo a repetição tornar-se extremamente hipnotizante, até um Coda melodioso, que fecha esse épico com chave de ouro. A canção, embora muito editada, acabou sendo um grande hit. Reza a lenda que David Bowie adorava viajar em sua Mercedes ao som desse clássico. Bem, não existiria escolha mais apropriada!

O segmento de “Kometenmelodie 1” e “Kometenmelodie 2” é como um buraco negro sonoro. Iniciando-se com sintetizadores aparentemente vindos de algum lugar bem distante, com uma belíssima melodia ao fundo, de forma cadenciada, até adquirir o “Batidão”, com camadas eletrônicas saborosíssimas.

As duas últimas faixas “Mitternacht” e “Morgenspaziergang” são legítimas experimentações. Com sons sintetizados da natureza (contradição ou revolução?), criando uma grande tensão, cavernosa, que é aliviada com toques quase folclóricos, encerrando o disco como uma caminhada pela natureza após tanta experimentação.

Involuntariamente, o Kraftwerk acaba moldando boa parte da música pop que viria a seguir. As raízes do Synthpop, Electro-Funk, muito do Hip Hop, está tudo aqui. Ralf, Florian, Klaus e Wolfgang continuariam a quebrar as barreiras entre o eletrônico e o mainstream, mas o impacto dessa viagem pela “Autobahn” foi perpétuo!

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Autor: Caio Braguin

16 anos, baterista, aficionado por música (e todas as formas de arte) desde o berço. Música é minha vida!

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