O veneno inspirador

Sem dúvida nenhuma, o Opeth é uma das bandas mais interessantes da cena atual. Se pararmos para pensar a banda nem é tão atual assim, tendo quase 30 anos de carreira, porém, tem ganho um destaque cada vez maior por conta de seus últimos lançamentos. IN CAUDA VENENUM apenas reforça essa afirmativa, álbum lançado no final de setembro de 2019 e que mostra a evolução da banda e a vontade de nunca ficar estagnada, sempre ousando e inovando a cada álbum.

A outrora banda de Death Metal que desde 2011, após o lançamento de Heritage, tem feito um som mais voltado para o Metal Progressivo, sem a presença de vocais guturais, liderada pelo vocalista/guitarrista Mikael Akerfeldt acaba de lançar o seu melhor álbum desde a sua mudança de fase.

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O disco foi lançado em duas versões: Em inglês e em sueco, dando uma ligeira mudança de andamento em algumas músicas por conta da diferença entre os idiomas, porém não causando estranhamento ao ouvinte tampouco comprometendo a perfeição do disco. Recomendo que escutem as duas versões, pois serão experiências diferentes e proveitosas.

As melodia sombrias e inesperadas dão a tônica ao disco, deixando claro a variedade musical que o Opeth sempre empregou. “Dignity”,a música que abre o disco não deixa absolutamente nada a desejar em termos de produção nivelada e cuidadosamente em camadas. Momentos em que solos ou vocais devem brilhar, integram-se de maneira bonita e suave. Os interlúdios e as mudanças climáticas dão ao álbum um teor conceitual e a impressão de ser uma história contada em sequência a cada faixa.

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As faixas menos agressivas do disco se mantêm muito bem como em ”Lovelorn Crime” e na magnífica ”Universal Truth”. As opções de melodia alcançam a direção sem ser maçante e exagerado, algo que pode ser facilmente atingido em músicas com alta exploração progressiva, tornando a audição em certos momentos desagradável e sem sentido.

A meio jazzística “The Garroter” e a semi balada “Continuum” são duas faixas que chamam a atenção pela densidade que apresentam, com belas passagens instrumentais e pela crescente que as músicas ganham no seu decorrer.

As pesadas ”Heart In Hand” (um dos singles divulgados antes do lançamento do disco) e ”Next Of Kin” poderiam estar tranquilamente em álbuns como Blackwater Park, misturando agressividade e leveza com riffs poderosos e passagens acústicas de tirar o fôlego em meio ao peso das músicas.

In Cauda Venenum melhora a cada audição, porque exige atenção total e não é um tipo de Metal que se encontra por aí com facilidade. Se você busca por um álbum brutal de metal, ele não está aqui, mas garanto-lhes que não se arrependerão de tirar 1h e 8min do seu dia para escutar essa maravilha e testemunhar cada vez mais a evolução de uma banda que sempre busca sair da sua zona de conforto.

A text by @lukaspiloto7twister

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Autor: Luc Rhoads

Um grande apaixonado por música e aventuras. Carioca, estudante de Educação Física, professor de inglês e vascaíno doente.

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