50 Anos de Ummagumma – A Primeira Jornada de David Gilmour

1969 era um ano de transição para o Pink Floyd. Na encruzilhada entre a inocente psicodelia de outrora e o (ainda embrionário) “Floyd Sound”, há tempos não contavam com o que era anteriormente seu líderSim , Syd Barrett, o “diamante louco”, mais um dos gênios pegos no fogo cruzado entre a ascensão e as drogas. Em função desse momento, Waters, Mason, Wright e o ainda novato David Gilmour tiveram uma ideia: um disco duplo, um ao vivo e outro de inéditas. Assim, lançaram o experimental “Ummagumma” (nome que é nada mais que uma gíria pro bom e velho coito), que desde então divide opiniões.

O disco ao vivo mostra uma banda potente e segura, com os membros se complementando perfeitamente, excelentes jams e traz algumas versões definitivas de clássicos da era Barrett, como “Astronomy Domine” e algumas faixas do disco anterior, como a própria “A Saucerful Of Secrets”.

Mas, como a capa da lendária “Hipgnosis” sugere, com os caras dispostos em posições alternadas, é um disco um tanto quanto individualista, pois conta basicamente com peças solo de cada integrante. Essa loucura começa com a peça solo de Rick Wright, “Sysyphus”, uma suíte experimental, e que demonstra todo o caráter erudito do tecladista, mas que por muitas vezes se perde em sua própria pretensão

Após uma explosão tão densa, Roger Waters nos acalenta com sua “Grantchester Meadows”, uma linda balada Folk, território em que ele não costuma errar. Mas, o que havia de bonito na faixa anterior se esvai com “Several Species of Small Furry Animals Gathered Together in a Cave and Grooving with a Pict”, uma piração de loops um tanto quanto rasa e sem sentido, fechando de maneira curiosa o Lado A.

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Se havia se questionado por que seria “A primeira jornada” de Gilmour, “The Narrow Way”, a primeira composição solo de Gilmour (e nem precisa dizer que foi a primeira de muitas obras-primas, certo?), que é também o ponto alto do disco. Alternando entre o acústico e sua divina guitarra do, numa das únicas amostras do som comum, e onde mais soam como banda em todo o álbum. Mas essa dinâmica é quebrada com a derradeira peça solo de Nick Mason, “The Grand Vizier’s Garden Party” uma psicodélica obra percussiva que beira o tédio, embora bem intencionada.

“Ummagumma” é um disco que pode parecer estranho, mas foi essencial para a trajetória do Floyd. Uma legítima transição, com todas as suas irregularidades, trouxe os elementos por vezes ditos (por engano) “progressivos”, e consolidou a identidade de cada membro. Posteriormente, se uniriam para lançar alguns discos “um pouco” espetaculares e famosos, mas isso é história pra outro texto!

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Autor: Caio Braguin

16 anos, baterista, aficionado por música (e todas as formas de arte) desde o berço. Música é minha vida!

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