“Tusk”: Os 40 anos da dupla ousadia sonora do Fleetwood Mac

Como se lança um disco duplo após um estrondoso sucesso que se tornou multiplatina, alcançou o primeiro lugar, e por lá permaneceu por inacreditáveis 31 semanas, gerando vários hits de sucesso, e passando meses no Top 40? Bem, pergunte ao Fleetwood Mac. Afinal, foi exatamente o que a banda fez quando lançou “Tusk” (1979), ambicioso disco duplo que está completando exatos 40 anos de lançamento!

Após o lançamento do espetacular e mega bem sucedido “Rumours” (1977), a banda voltou a ativa para gravar um disco mais profundo, maior (20 canções no total) e “obscuro”, mas que de alguma forma, ainda mantivesse a deliciosa aura Pop do álbum anterior. O disco acabou levando impressionantes 10 meses de gravação, tendo um custo estratosférico de 1 milhão de dólares. Para os fãs que esperavam um conjunto de músicas que os fizesse reviver uma experiência semelhante à de “Rumours”, “Tusk” provou ser uma audição “confusa”, cheia de curvas artísticas, e experimentações sonoras. Alguns acharam ousado e pretensioso, e outros acusaram a banda de auto-indulgência, mas o óbvio fato era de que o Fleetwood Mac estava se recusando a descansar sobre a zona de conforto de repetir uma excelente e bem sucedida fórmula. Porém, isso não quer dizer que “Tusk” não tenha seus momentos de Pop rádiofônicos, pois seis singles foram lançados no total com todos alcançando posições bem satisfatórias nos charts. Mas acima de tudo, era óbvio que em vez de tentar recapturar ou superar “Rumours”, os membros da banda estavam dispostos a aproveitarem o imenso e prolífico momento de alta inspiração do grupo, reunindo um grande número de composições sensacionais resultando num trabalho amplo e ambicioso. Apesar da democrática contribuição de cada integrante da banda, foi o guitarrista e vocalista Lindsey Buckingham, que capitaneou a obra, cujo controle sobre as rédeas em volta de “Tusk” levaria alguns fãs a se referir ironicamente ao álbum como um incrível disco quase solo de Lindsey.

Abrindo espaço para alguns dos maiores destaques da obra, temos as dolorosas “Angel” e “Save Me A Place” (A primeira é um belíssimo tema Pop Rock composto e interpretado por Stevie Nicks, e a segunda é um melancólico e lindo Folk de Lindsey). Claro que Christine McVie também tem seu espaço para brilhar logo na abertura do disco, quando surge absolutamente mágica em “Over & Over”, um Folk/Country de alto nível. Nicks ainda contribui com perfeição em “Sara” (Sensibilidade Pop simplesmente maravilhosa, chamada pelo meu grande amigo Neto Rocha de uma das melhores músicas do mundo) e na linda balada “Storms”, de uma beleza melódica ímpar. “I Know I’m Not Wrong” é um Country deliciosamente Pop de Lindsey, enquanto que Christine ressurge com a singela “Never Make Me Cry”. A faixa título “Tusk” é mais um belo exemplo da incrível consciência de Lindsey em compor grandes canções de acento Pop, e “Never Forget” de Christine fecha a longa obra de forma leve e cativante.

“Tusk” no final das contas não obteve o mesmo sucesso comercial do avassalador “Rumours”, mas ainda assim trata-se de um grande disco de uma corajosa banda que não teve medo de ousar tanto em termos de sonoridade quanto em conceito. “Tusk” é um registro mais maduro e ousado que “Rumours”, pois a banda apostou numa pegada menos Pop e mais música americana, com bases enraizadas no Folk e no Country (Claro que com tudo temperado com a já tradicional e ótima sensibilidade Pop do trio Buckingham/McVie/Nicks). Nesta especial data de 40 anos de lançamento, faça um favor a si mesmo: Reserve um tempo e escute “Tusk” na íntegra, e irá comprovar que apesar de longo, é um maravilhoso disco repleto de canções excelente, que merecem adentrar os ouvidos (E conseqüentemente os corações) de qualquer amante de uma maravilhosa e cativante música!

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Autor: Felipe Silva

28 anos, paulista, corinthiano, e o mais importante, consumidor compulsivo de música! Rock, Soul, Funk, Blues, Jazz, MPB, que a música boa seja exaltada independente de gênero. God bless you all.

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