E o Pulso Ainda Pulsa… 30 Anos de “Õ Blesq Blom”

A efervescência cultural do BRock ainda estava com a corda toda em 1989, mas com um ingrediente a mais, uma tendência “antropofágica” que caracterizaria o Rock feito nos anos 90. É claro que os Titãs não deixariam de ser protagonistas, e, há exatos 30 anos, combinaram do Repente ao Eletrônico em seu “Õ Blesq Blom”.

O álbum captura a banda em pleno auge. Após o histórico brado de “Cabeça Dinossauro” (1986) e a introdução forte do som eletrônico de “Jesus Não Tem Dentes No Pais Dos Banguelas” (1987), ele é um híbrido de ambos, novamente com a produção do lendário Liminha, aliado a uma brasilidade acentuada. Isso já é explicitado na forte introdução com os Repentistas Mauro e Quitéria, seguida (não coincidentemente) da espetacular “Miséria”, com teclados, beats eletrônicos, e muito groove.

As excentricidades de cada membro são, como sempre, das coisas mais instigantes do disco. O curioso “Racio Símio” (lógico?) de Nando Reis, o questionamento divertidíssimo de Miklos no Reggae “O Camelo e o Dromedário”, e o concretismo exacerbado e genial de Arnaldo Antunes no clássico “O Pulso”.

Mas apesar dos diversos elementos eletrônicos, ainda se trata de uma banda de Rock ‘N’ Roll. Temos aqui grandes canções como a pulsante “Palavras”, “32 Dentes” e o sucesso absoluto “Flores”, a síntese de um hit: Riff marcante, refrão grandioso, vibração, genialidade. Poucos têm a consciência pop desses (à época) 8 Titãs! E, após toda essa viagem, voltamos ao Porto Seguro, a brasilidade de Mauro e Quitéria.

“Õ Blesq Blom” é um registro do ápice criativo e artístico dos Titãs. Sempre com algo a dizer, quebrando barreiras entre o Pop Rock e a Música Brasileira. De fato, o pulso ainda pulsa!

Autor: Caio Braguin

16 anos, baterista, aficionado por música (e todas as formas de arte) desde o berço. Música é minha vida!

Deixe um comentário