Os 65 anos do homem que revitalizou o Blues

Exatamente hoje, estaria completando 65 anos de vida, um dos maiores e mais importantes músicos de Blues da história. O homem responsável por revitalizar o Blues na década de 80, injetando no gênero um novo frescor e fôlego de vida, numa época em que este maravilhoso estilo musical estava bem em baixa. Mas é claro que estamos nos referindo ao genial guitarrista Stevie Ray Vaughan.

No final dos anos 70, até o início dos anos 80, o mundo estava passando por um gigante turbilhão sonoro, com o surgimento e o estouro de novos estilos e tendências musicais que provocaram grandes rupturas. A grande parcela da humanidade amantes de música haviam sido impactadas pelo surgimento do Punk, do Pós-Punk, e de um revigorado cenário do Heavy Metal na Inglaterra, batizado como “New Wave of British Heavy Metal”, e é claro já com toda aquela leva de bandas clássicas dos anos 70 como Black Sabbath, Led Zeppelin, Deep Purple, Thin Lizzy e tantas outras. Felizmente, ainda assim havia espaço para o Blues voltar aos trilhos para brilhar novamente, e é aí que o lendário Stevie Ray Vaughan entra em cena…

Vaughan juntamente com sua banda “Double Trouble” formada pelo veterano baixista Tommy Shannon (Que já havia feito parte da banda de Johnny Winter no final dos anos 60), e o baterista Chris Layton, faziam shows um atrás do outro em qualquer canto que os recebesse. Foi assim que chamaram a atenção de Claude Nobs, fundador do lendário Festival de Jazz de Montreux, que após se sentir arrebatado depois de assistir a apresentação do trio em um bar, fez logo questão de colocar a banda para se apresentar na edição do evento em 1982, e obviamente que os caras aceitaram na hora e embarcaram nessa empreitada. Uma das grandes atrações daquela mesma noite, o excelente e prestigiado cantor e compositor Jackson Browne, ficou tão incrédulo quando viu a apresentação da banda, que ofereceu seu próprio estúdio particular para que gravassem um disco. E detalhe: Tudo de graça, apenas na camaradagem mesmo, num gesto muitíssimo nobre. A banda estava tão afiada que o disco foi gravado impressionantemente em apenas dois dias! Logo depois, Browne mostrou as gravações finalizadas ao renomado produtor John Hammond (O cara que “só” descobriu e revelou ícones como Bob Dylan, Aretha Franklin, e Bruce Springsteen), o que fez com que o produtor ficasse completamente extasiado com o que havia ouvido. Pois logo na semana seguinte, ele acabou arrumando um contrato com a gravadora “Epic” para que Vaughan e seus companheiros remasterizassem o que haviam gravado no estúdio de Jack, para que um LP fosse imediatamente lançado, e sendo assim, surgiu o inacreditável “Texas Flood” (1983), o fabuloso disco que fez o Blues renascer na década de 80.

O impacto deste álbum foi tão avassalador que na empolgação de seu incrível sucesso, e das vendas em números estratosféricos, fez com que o próprio Blues voltasse a ser consumido em larga escala, já que a maneira furiosa, e ao mesmo tempo incrivelmente cristalina e delicada com que Vaughan abordava o gênero, soava como se a lenda Albert King tivesse se fundido ao excepcional Rory Gallagher. E isso foi de vital importância para que milhões de pessoas abraçassem o som de Vaughan e consequentemente, todos os legendários Bluesmans que o antecederam. Durante todo os anos 80, o fato é que Vaughan permaneceu trilhando uma carreira brilhante: Foi convidado pelo grande guitarrista e produtor Nile Rodgers pra tocar guitarra solo no brilhante disco “Let’s Dance” (1983) de David Bowie, e seguiu gravando e lançado discos espetaculares com a “Double Trouble”, com destaque para “Couldn’t Stand the Weather” (1984).

Após essa década tremendamente brilhante, infelizmente um destino cruel fez com que Vaughan subisse em um helicóptero, que pouco depois chocou-se a uma montanha à caminho de Chicago. Isso aconteceu após um show que se encerrou com uma incrível jam session que reuniu um time de alto nível: Eric Clapton, Buddy Guy, Robert Cray, e o irmão mais velho de Stevie, Jimmy Vaughan. E foi aí, mas exatamente no dia 27 de agosto de 1990, que o grande Stevie Ray Vaughan partia deste plano de forma muito prematura. O triste dia que o já reconhecido mestre da guitarra tornou-se o mito. Que todas as homenagens sejam feitas no dia do sexagésimo quinto aniversário desse grande herói do Blues.

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Autor: Felipe Silva

28 anos, paulista, corinthiano, e o mais importante, consumidor compulsivo de música! Rock, Soul, Funk, Blues, Jazz, MPB, que a música boa seja exaltada independente de gênero. God bless you all.

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