Emoções afloradíssimas: 45 anos de Veedon Fleece, a prolixa obra de VAN ”THE MAN”!

Após uma sequência espetacular de discos, Van Morrison voltava ao estúdio para gravar o disco alvo deste texto, o qual completa 45 anos. Falo de VEEDON FLEECE, oitavo álbum da carreira de Van ”The Man” . Os rigores da estrada e a montanha-russa de uma vida amorosa conturbada levaram-no a um retiro na sua amada e inspiradora Irlanda, local escolhido para gravar uma das suas melhores e mais profundas criações, apesar de discretamente menosprezada.

Van tinha acabado de se divorciar, então é perceptível que as músicas aqui estão repletas de emoções e angústias, aliadas ao som mesclado de Folk/Jazz característico do Leão de Bellfast, além de pitadas de Blues e música Celta, ajudavam a dar um ar de melancolia.

O disco abre com ”Fair Play”, com um piano encantador e um ritmo circular que sustenta o canto arrebatado de Morrison. Como nos melhores monentos do músico, complexidade e melodia caminham em perfeita harmonia, com as emoções em constante intensidade. ”Linden Arden Stole the Highlights” e ”Who Was That Masked Man” são músicas mais curtas dotadas de um sentimentalismo bem maior do que suas durações.

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”Streets of Arklow” envolve-nos na sua atmosfera brumosa, acentuada pela flauta celta em companhia de arranjos orquestrais. O maior destaque deste álbum fica por conta de ”You don’t Pull no Punches, but You don’t Push the River”, uma jornada interior e intrínseca de Van, que nos faz refletir sobre nossos labirintos particulares.

”Bulbs” e ”Cul de Sac” são os temas mais diretos do álbum, bebendo avidamente da fonte dos blues. Depois deles, é cedido o lugar às criações mais etéreas e sentimentais do disco: ”Comfort You” é alma à flor da pele, deixando bem evidente o estado emocional que Morrison apresentara; ”Come Here My Love” é uma das mais despojadas e tocantes canções de amor de Van Morrison. A prova que basta uma voz e uma guitarra acústica para criar magia.

Country Fair fecha o disco em toada bucólica e tranquila, transmitindo uma paz de espírito ímpar (reflete muito bem a capa do disco, se tivesse que escolher uma música para fazer tal representação).

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Após este disco, Van entrou num Hiato de 3 anos, talvez por que o próprio percebera que este disco precisaria de tempo para ser assimilado e compreendido da forma como deveria ser. Uma obra altamente carregada emocionalmente. Porém parece que 45 anos ainda não foram o suficiente para que Veedon Fleece fosse captado pelos ouvintes, sempre citado como uma de sua obras mais irregulares. Espero que consigamos mudar esse cenário injusto, COMEÇEMOS AGORA. APENAS OUÇAM E SINTAM!!!

A text by @lukaspiloto7twister

 

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Autor: Luc Rhoads

Um grande apaixonado por música e aventuras. Carioca, estudante de Educação Física, professor de inglês e vascaíno doente.

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