“Rhythm Nation 1814”: Os 30 anos do estouro Pop de Janet Jackson

Depois do ótimo e muito bem sucedido “Control” (1986), a irmã mais nova da família musical mais famosa do mundo, se uniu aos produtores Jimmy Jam e Terry Lewis para lançar um disco fabuloso, que iria direcionar a carreira de Janet Jackson para um patamar altíssimo de popularidade e influência: “Rhythm Nation 1814” (1989), que está completando exatos 30 anos de lançamento em 2019.

“Rhythm Nation 1814” é um disco de extremos. De alguma forma, o álbum é mais agressivo, mas mais amoroso, mais eletrônico, só que também mais excepcionalmente humano. Janet incrivelmente vai construindo ao longo da obra, imagens de devoção e violência. A proximidade desses dois sentimentos, e as batidas contundentes ao longo do disco contribuem para uma crítica interminável e gritante da América no final dos anos 80. Em vez de apresentar a música como uma fuga do momento contemporâneo, Janet Jackson demonstra que as duas estão fundamentalmente conectadas. Talvez a parte mais emocionante deste álbum tenha sido a recepção calorosa do público Pop de todo o mundo. Seu trabalho socialmente consciente não era para críticos, mas para um público popular interessado em se envolver com uma crescente política pública.

Em “Control”, o intuito de Janet era fazer da Dance Music um conceito que se manifesta em relacionamentos pessoais. Foi um disco preenchido com encontros, momentos de auto-capacitação, e desilusões amorosas. Em “Rhythm Nation”, ela expande essas conexões para uma escala mais global, os temas ainda são pessoais, mas suas emoções parecem mais universais. Como por exemplo em “Love Will Never Do (Without You”), onde Janet canta sobre um relacionamento em desacordo com as expectativas da sociedade. A guitarra poderosa inspirada em Hard Rock presente em “Black Cat”, é uma mistura perfeita de uma música ousada, ao associar essa energia sônica às panteras negras. Janet soa “cruel” nessa faixa, e é uma das performances mais enérgicas de toda a sua carreira. Já a faixa título é um poderoso Beat Funky eletrônico oitentista com um forte mensagem (Aliás, essa é a maior força de “Rhythm Nation”, pois são hinos políticos poderosos, embrulhados em canções de dança “felizes”). E das baladas que fecham o álbum, destaco “Lonely” e “Come Back To Me”, que são dolorosamente lindas, e interpretadas de forma muito emocional por Janet.

Em considerações finais, “Rhythm Nation 1814” é uma obra conceitual Funky e excepcional, político, de protesto, luta, consciência social (Aliás, o uso do “1814” no título, tem relação ao ano em que o Hino da Independência americana foi composto, e ao ano em que as mulheres tiveram acesso à educação e o direito ao voto) mas ao mesmo tempo, belo e emotivo, capaz de fazer com maestria pessoas pensarem e refletirem enquanto dança ao som de batidas muito bem sacadas, e arranjos muito criativos de Soul, R&B e NewJack Swing. Janet Jackson demonstrou em “Rhythm Nation 1814” que é extremamente possível através da música dançante, conscientizar toda uma geração. Simplesmente sensacional!

Autor: Felipe Silva

28 anos, paulista, corinthiano, e o mais importante, consumidor compulsivo de música! Rock, Soul, Funk, Blues, Jazz, MPB, que a música boa seja exaltada independente de gênero. God bless you all.

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